terça-feira, 18 de novembro de 2014

A Dama D'Água

Ao se dar conta estava acordando em uma cama de dormitório, seu corpo parecia perfeitamente bem, isso o surpreender, sem dor no ombro ou joelho, curioso passava a mão por ele todo e sentindo as mudanças, assustado levantou rapidamente da cama, indo em direção do espelho mais próximo, que estava logo a frente, em um banheiro no quarto. Ao se olhar notou que não só sua visão estava perfeita, mais todo o seu rosto e corpo.
Junto com essa sua nova visão a aparência estava mais nobre, como se toda a sua postura tivesse mudado até o seu rosto, que adquiriu traços mais finos e fortes. O seu cabelo brilhava como ouro negro, agora se derramava em seu rosto, de pele limpa, onde traços de espinha não existiam. Valorizando toda a nobreza de sua aparência estava sua íris, que brilhava como ouro liquido, ondulando em tons dourados.
Logo que voltará do banheiro, Raul pôde observar com clareza o quarto em que estava, ele era amplo e com diversos beliches, separados por guarda-roupas. Ele logo achou em sua cama a chave para o seu, que continha roupas, utilidades e uma caixa de madeira. Dentro da caixa havia uma espécie de celular.
Ligando o aparelho ele descobriu o nome dado a tal, “M. Cosmos ID” e passou por p uma série de tutoriais que vinha no aparelho, Raul logo viu que o ID, como havia nomeado, possuía uma plataforma flexível, aliada a opções que faziam os melhores celulares que ele havia avisto parecerem rústicos.
Pela simplicidade do dispositivo que constava com sua tecnologia, Raul aprendeu facilmente a usá-lo, tendo acesso a diversas informações da Academia, como localização dos prédios, horários das aulas e refeições. Segundo eles estavam liberados até o dia seguinte quando começariam as aulas para os novatos.
Perdido lá, resolveu se guiar por seu instinto mais básico, a fome, indo em direção da primeira máquina de lanche que achou no dormitório e devorando uma maçã, um chocolate e uma barra de cereal, que para ele pareceram excessivamente bons.
Com o lanche feito ainda eram 10 a.m, pensou que os outros alunos já deviam estar explorando a academia, então continuou a andar por lá. Ocorreu dele pensar chamar Cecil, porém não tinha noção de onde seu amigo estava. Um pouco confuso com toda a história Raul decidiu sair então para conhecer a academia.
Nunca em toda a sua vida ele havia visto construções como aquelas, elas pareciam exalar magia, seja por detalhes em cristais, símbolos ritualísticos e harmonia com o ambiente, Raul entendia isso com clareza, afinal seu pai era engenheiro civil e sua mãe era arquiteta, então ele foi obrigado a escutar até sua adolescência tudo sobre tais, desde como se projetavam até a coloca-los em pé.
Conforme ia observando as construções, ele observava os estudantes, eles usavam uniformes e insígnias diferentes, assim como possuíam a diversidade de uma instituição Global como aquela e ainda mais mágica por traços únicos entre os estudantes, desde orelhas de animais a chifres. Ao longo ele via que captava alguns olhares, assim como se deixava levar por algumas presenças, que ali levavam magia até em seu andar.
Raul caminhou até achar um lago com água cristalina e profunda, onde parecia ficar já distante da academia, ele não percebeu o quanto havia andado, mais gostou do ambiente e em pensamentos intermináveis sobre a magia, aquele parecia ser um lugar perfeito para começar a usa-la.
Lembrando da apresentação, ele se concentrou como pareceu que os estudantes dela fizeram, fechou os olhos, tentava esvaziar a mente e então expandi-la. Todo aquele ambiente contribuía para isso, ele sentia como se ele fosse o professor aquele lago, que isolado contribuía para sua paz de espirito.
Ainda concentrado ele estendeu a mão, esperando algo, de fogo a raio ele esperava disparar com a sua concentração, assim se focava. Em um momento ele pareceu se dispersar do mundo e se postar perante a um grande tesouro, porém logo foi puxado a realidade. Essa conquista ficou em sua mente, que parecia fazer ele tentar mais animadamente.
O tempo passava e com isso ele sentia mais cansaço , sem nenhum resultado e irritado ele tentou apelar um pouco para os clichês. Logo lembrou de quando era criança e tentava fazer o kamehameha. Isso o empolgou um pouco, o fazendo se concentrar para isso.
– KAMEHAME...- Ele sentiu sua energia fluir, logo se sentia empolgado, de olhos fechados para focar-se.
Quando estavas prestes a falar sua última sílaba ele pareceu acordar, com uma risada um tanto alta, seguida de um comentário.
– Sério que você estava tentando isso? Homens são tão idiotas, isso foi hilário, vai direto para o MagickTube – Com seus olhos azuis como o mar e um cabelo negro e curto molhado, Silena olhava Raul parada em cima d’água com um sorriso debochado.
Ele olhava na direção do lago para encarar a jovem, em sua face estava estampado um misto de espanto e vergonha, que o fazia ficar quase vermelho, enquanto ela o encarava de volta.
– Sim, eles criaram aqui uma versão pirata do youtube para vídeos de magia e sério agora você vai tentar o que? Se for os meteoros de Pégaso eu ao menos apoio – Ela falava de forma brincalhona, enquanto ainda encarava Raul com um sorriso irônico.
Essa situação atingira ele de forma mais intensa que uma surpresa, logo ele mudou a face de bobo, que parecia não saía de seu rosto de forma alguma, para sentir o sentimento de vergonha crescendo e esmagando o peito dele, como se para ele aquilo fosse o lado mais cruel da moeda.
– Ei não apareça assim, quem é você por acaso, o mestre dos magos? - Raul falava, agora com um sorriso sarcástico e sem conseguir esconder a raiva na sua voz. – Não saia por aí fazendo isso, você estava atrapalhando o desenvolvimento das minhas técnicas secretas. Agora terei que me retirar desse lugar – Continuava Raul, desorientado perante a um novo orgulho que sentia agora, antes somente o comentário sarcástico bastaria.
Deixando Silena para trás, ele saiu em um passo rápido em direção da Academia, quando ouviu:
– Até mais Goku – Gritava Silena, parecendo rir mais alto com o deboche.
Oque antes seria só uma brincadeira para Raul o estava inflando como razão de ódio por aquela garota, aumentando seu passo ele tira o celular do bolso, se surpreendendo com a mensagem que aparecera