terça-feira, 30 de junho de 2015

Kronos Academy - Deborah I

Deborah I

Mais uma vez ela acordara no meio da noite. Seu companheiro de cama estava ao seu lado, o abdômen desnudo subindo e descendo, a expressão pacifica de um sonho agradável. Ele não notara o terror noturno, pelo menos não essa noite. As lagrimas ainda escorriam quentes pelo seu rosto, mas ela não soluçara, não fizera nenhum som. Não conseguia mais gemer, apenas gritava ocasionalmente.
Acontecera há 1.875 anos, mas a dor era tão intensa e dolorida como se tivesse acabado de acontecer. Suas mãos foram para o pingente de coração em seu pescoço, a única lembrança física dele, que só sobrevivera por ele ter sido cuidadoso de envolve-lo com o que ela gostava de chamar de Magia Temporal. Muitas vezes ela se perguntava se ele previra o que aconteceria, por isso tivera o cuidado de garantir que seu presente mais importante permanecesse. Mas não... ele não poderia tê-la deixado de proposito. Fora um acidente... ele não poderia ter previsto...

As lagrimas ainda banhavam seu rosto e ela segurou um grito de dor mordendo os lábios. Mordeu-os até sentir o gosto de sangue. Se encaminhou com passos pesados até a parte de seu quarto que seria um escritório, era distante da cama, e tinha um isolamento acústico. Seu companheiro não a ouviria. Só após a porta metálica fechar-se atrás de si ela se permitiu cair de joelhos e gritar.
Gritou maldições e pragas dirigidas às Moiras. Gritou o nome dele, implorando por ele, mesmo sabendo que não poderia ouvi-la.

Sonhara com ele outra vez... Não um pesadelo. Não, seus sonhos eram feitos de paz e alegria. Ele estava vivo novamente. Ele a abraçava e dizia que a amava. Ele lhe presenteava com o pingente e prometia jamais lhe deixar. Ele fora o único que ela realmente amara, o único que se permitira amar, o único  que a correspondera... e o que perdera.

Rastejou até a escrivaninha, pegou a chave no bolso abrindo a gaveta secreta. E ali estava. O ultimo desenho que fizera, na ultima vez que sentira vontade de desenhar. Ali estava o rosto dele, rindo de alguma coisa. Os dedos alisaram os traços, e ela teve o cuidado de não permitir que nenhuma lagrima manchasse o papel. Gritou novamente, com a saudade apertando o peito.

Por que? Por que ele?

- Por que essa foi a vontade de Paradoxo – respondeu uma voz masculina

Ela se virou em um salto, se posicionando defensivamente. Saindo da sombra vinha um aluno, um tal de Alexander... Mas o que ele poderia saber sobre...? Então ela percebeu a cor de seus olhos, de um vermelho sanguinolento.

- Morgaine! – ela rosnou em conhecimento – Como você...?

- Não lhe interessa! – disse em um tom cínico – Mas o rapaz está sobre o meu controle, pelo menos temporariamente. Logo ele retornara ao seu quarto e continuará a dormir, amanhã acordará sem nenhuma lembrança dessa nossa conversinha.

Ela semicerrou os olhos desconfiada, mas assentiu.

- Que seja! Não é como se eu...

 - Por favor, querida – o rapaz deu um passo na direção dela, toda a postura corporal dele mudada, andava languidamente, rebolando como se tentasse seduzir todos ao seu redor, um habito que na maldita que o controlava poderia ter feito sucesso, mas agora só beirava ao ridículo.- Eu há conheço há muito tempo. Não precisa fingir comigo. Sei que sente a falta de seus amiguinhos.

- Você não sabe nada sobre mim!

- Sim, eu sei. Sei mais do que você inclusive. Sei até as verdadeiras circunstancias da morte dele... – prosseguiu em um tom insinuante

- Mentirosa! Foi um acidente! Você estava em Salem quando aconteceu, não tente me enganar!

- Foi isso que as demonias te disseram? – riu em verdadeiro divertimento – Acha que foi apenas por aquele incidente com as bruxinhas que fui aprisionada? Não, minha querida. Elas sabem da verdade, ou ao menos parte dela. Seu noivo descobriu as intenções de Paradoxo antes mesmo que pudesse começar seu trabalho. Ele intentava denunciar às Moiras, e trocar tais informações pela liberdade de viver com você... Quando Paradoxo o confrontou. Eu estava lá, você sabe... Eu que descobri as intenções do idiota!

- E o denunciou ao assassino! – vociferou ela se sentindo tonta, as novas informações traziam outra luz à historia que ela já vira varias vezes em sua mente.

- Sim, era meu dever como sua aprendiz. Embora eu deva confessar que não imaginava que ele mataria o pobre rapaz. Foi algo terrível de se ver. Mas as Moiras poderiam ter impedido você sabe... Elas viram quando os árabes o capturaram com dezenas de acusações sem fundamento. – prosseguiu o rapaz com um sorriso cruel no rosto, divertindo-se com o sofrimento que causava – Creio que elas queriam afinal vê-lo punido. Vocês dois desrespeitaram uma das regras mais importantes delas. Tsk. Tsk. Tsk. Algo que qualquer aluno sabe, você não pode se apaixonar, querida – prosseguiu em um tom zombeteiro, como se falasse como uma criança. – Você deve imaginar o que se seguiu. Algumas amputações, chicotadas, um olho à menos, os dentes espalhados no chão. É claro que o rapaz não poderia fazer nada, as mãos estavam amarradas à uma distancia segura uma da outra, ela não podia mexer no relógio. Mesmo perto do fim ele tinha esperança sabe... Repetia para si mesmo que as Moiras iriam intervir, que você iria salva-lo, que ele teria a chance de tocar no relógio... – o rapaz deu uma gargalhada – Eu mal posso acreditar na ingenuidade. Mas ele estava delirando de dor...

Lagrimas quentes desciam com ainda mais intensidade pelo roso da mulher. Ela mal podia acreditar no que ouvia. Queria estraçalhar a maldita. Estraçalhar as Moiras. Estraçalhar Paradoxo. Contudo o choque não deixava que movesse um musculo.

- É claro que quando começaram a amputar os membros ele deixou de ser tão esperançoso. Primeiro foram os pés. Os órgãos sexuais. Depois uma das mãos. E enfim a mão do relógio. Quando o relógio caiu ele abaixou a cabeça e teve certeza de seu fim. E estava certo, é claro. Paradoxo pegou o relógio do chão cheio de sangue, e começou a desmonta-lo. Lentamente. Ao fim de 30 minutos... O relógio se desfez em cinzas. E seu noivinho também. – o rapaz deu uma risadinha de prazer – Pelo menos isso acabou com o sofrimento dele não é? É claro que isso criou um paradoxo. Todas as encarnações dele futuras e passadas desapareceram. Todos seus pertences físicos. Toda memoria dele... Exceto para os Viajantes. Após isso você sabe o que houve. O paradoxo durou algumas horas, às quais meu querido professor e líder usou para ajeitar alguns detalhezinhos das linhas do tempo. Algo que as demonias sequer perceberam. Mas eu errei. – fez uma careta – Em minha arrogância e desejo de agradar meu líder tentei me livrar das três pragas. Obviamente não tive sucesso. As Moiras tentaram me interrogar, mas como não podiam me fazer falar, me trancafiaram naquele calabouço. Entretanto logo, logo eu estarei livre. – o rapaz deu um sorriso cheio de veneno

- E por que está me contando isso? – rosnou a mulher, embora as lagrimas ainda descessem pelo rosto ela ficou satisfeita de ver como a voz saíra ameaçadora, embora ligeiramente grotesca, mais rosnado que humana.

- Por que as três demonias sabiam o que ia acontecer. Mesmo que Paradoxo não tivesse esmagado o relógio, seu noivo teria morrido de uma forma cruenta. Elas não podem continuar no comando. Elas não devem, elas não merecem.

- E quem merece? Você? Você entregou um dos nossos àquele assassino! Você assistiu enquanto os mortais o... – ela engoliu em seco sem poder continuar – As Moiras são três vadias que podem ter um ménage à troa pelo que me importa. Mas você e seu mestre não são muito melhores que elas!

O rosto do rapaz se contorceu em uma careta.

- Ele não é meu mestre. É meu líder e meu professor, não meu mestre! E nos somos melhores que as Moiras. O que aconteceu com seu noivo foi uma consequência necessária! Para destronar as demonias é necessário transformar o reinado delas em um caos. Quando elas não forem mais que poeira uma nova ordem pode surgir desse caos!

- E essa seria a ordem de Paradoxo? – ela cuspiu com desprezo no rosto do aluno – Que você e ele queimem no inferno.

- Cuidado, querida. – disse o aluno limpando o rosto – Agora que sabe o que realmente aconteceu com seu noivo deveria saber que se opor à Paradoxo pode ser perigoso.

- E Paradoxo deve saber que sou uma mulher vingativa. Eu vou matar esse verme. E à você também Morgaine.

O rapaz fechou o rosto com um ar de repreensão. Depois suspirou e deu de ombros fechando os olhos. Toda a postura corporal desapareceu, ele soltou um pequeno ronco, e ela soube que Morgaine deixara o corpo dele. Agora ela apenas um aluno sonambulo, ela abriu a porta e o garoto foi andando à passos lentos de volta para o seu quarto.


A mulher trancou o desenho de volta na gaveta secreta, trancando-a. Não pensaria nele, pelo menos por enquanto, sua mente não era capaz de lidar com o que ouvira. Pensaria apenas em sua vingança.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Ahtrim Ayon — Calixto Corleone — Etherias Pretérito

Calixto Corleone já tinha visto muitas coisas estranhas durantes suas épocas de viajante, mas jamais tinha visto algo como aquilo. A devastação causada por aquele monstro não tinha chegado à cidade de Anatoli, mas até mesmo as Cinco Dinastias estavam com medo do que ele poderia fazer se chegassem no local certo. Os senhores Masashi estavam em polvorosa pela perspectiva do Devorador de Éter chegar na cidade, os Andrieux tinham votado pela destruição completa de Ferália, os Cahill tinham enviado uma guarnição de soldados para lutar contra a criatura, e os Mayer e Thazlow estavam cuidando da proteção de cidade. Tudo estava seguindo ritmo.
Você e sua mania de observador… Não se cansa de ser um mero expectador da vida alheia, Calixto? Você tem tanto talento, tanto potencial… Mas desperdiça tudo isso ao fazer essas viagens ao passado e ao futuro para ver o que acontece com o mundo. — sussurrou uma voz vinda de outros galhos, a curta distância do mais velho.
Ah, Tess. Que bom que finalmente aceitou meu convite para viajar pelo tempo comigo. Já estava ficando triste por você fugir tanto de tantos convites que faço. Agora sente-se aqui comigo e aprecie os esforços inúteis desses soldados em conter o Äter Ausgehungert. Claro que isso é impossível. Ele está fadado a confrontar todas as cinco dinastias e ser derrotado por elas. É sabido. — o mais velho apenas acenou com a cabeça, voltando a ler o livro com empolgação. Tess de certa forma sentiu tristeza pelo velho. Mesmo que ele tivesse a proteção das Moiras, ainda era triste que ele tivesse uma visão tão escrota que não devia evitar a desgraça quando ela estava na sua frente.
Você fica com esse livro grande nas coxas, se perdendo na leitura de vários tempos e caminhos possíveis para o futuro de cada coisa, mas se esquece de que existem coisas mais importantes que simplesmente ter conhecimento absoluto de tudo o que acontece ao seu redor. Eu duvido que você se lembre dos olhos da última mulher com quem transou ou da cor dos cabelos da sua filha. Você realmente não consegue se preocupar com mais nada além de ganhar mais e mais conhecimento? — perguntou o garoto, com voz entristecida.
Calixto virou-se pra ele e lhe deu um meio sorriso. Sabia como ele pensava, pois já fora jovem. Ele também já tivera a ideia de que poderia mudar o mundo para que nada mais desse errado, que ninguém mais se ferisse, que ninguém mais tivesse a vida roubada por um vilão escroto que só serve para destruir e arruinar a chama que arde nos corações dos jovens prodígios de Ahtrim Ayon. Mas como sempre acontecia, ele estava errado. Existiam coisas que não podiam ser concertadas, porque simplesmente não tinham concerto.
Você ainda é jovem, Tess Leon. Ainda tem que entender muita coisa sobre a vida, saber que a arma mais poderosa do mundo foi e sempre será a informação e o conhecimento de tudo ao seu redor. Você precisa saber tudo e precisa conhecer tudo, para poder combater qualquer inimigo. Se eu tiver as informações necessárias para vencer todos os inimigos do mundo, ainda será pouca coisa. Entenda isso, e perceba que concertar erro por erro é inútil, e o melhor é ter toda a sabedoria para corrigir tudo de uma vez, a partir do princípio.
Existem diferenças sutis entre ser um idiota precavido e ser um idiota presunçoso e arrogante. Calixto obviamente tinha ignorado a linha e ficava cruzando a fronteira de forma insistente a todo momento. O quão estúpida uma pessoa tinha que ser para pensar que não daria mais merda fazer com que todos os erros de um passado fossem corrigidos a partir da fonte? Seria com certeza bem pior, o desastre mais tenso que poderia acontecer. Mas tudo bem, afinal, ainda existiam pessoas com predisposição a viajar pelo tempo, e Tess sabia que podia encontrá-las e treiná-las pra concertar o que ele não poderia. Mas por enquanto…
Eu sinto muito, meu bom e velho amigo. Você me ensinou muito sobre a vida, sobre como viajar no tempo e até mesmo sobre o futuro que aguarda minha família, e eu lhe sou extremamente grato. Você não faz ideia do quanto eu te considero e te respeito por tudo o que você fez por mim, mas eu não posso admitir que você imponha sua visão do mundo sobre todos.
Hora de fazer o mundo voltar a funcionar. Tess se jogou do alto da árvore e aterrisou com apenas um leve baque surdo. Em seus olhos, a ira de toda uma geração se escondia como uma tempestade se esconde no horizonte antes de desabar sob o mundo inteiro e varrer tudo em seu caminho. A pressão no ambiente estava mais forte do que deveria enquanto o garoto lentamente caminhava pelo caminho destruído da floresta, porém isso não o incomodava. Na verdade, era reconfortante saber que finalmente ele encontraria alguém tão forte quanto ele, ou até mais ainda.

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O ser que se encontrava caminhando lentamente pela floresta, como se a mesma fosse feita de gelatina, estava começando a sentir uma presença oposta a ele. A pressão ainda era poderosa o bastante para lhe causar medo, mas certamente era inferior a que ele produzia ao seu redor, ou a que as Dinastias estavam criando juntas. Certamente seria divertido encontrar alguém que tinha um poder tão imensurável, mas ainda era algo perigoso e intenso, algo que ele não queria pegar e nem queria encontrar. Uma luta dessas proporções poderia destruir todo o mundo de Zahalysne, e não sobraria nada para comer se isso acontecesse.
Parece que cada passo fica mais dificil avançar em direção a Anatoli. Eu deveria estar preocupado com a potência do seu poder, mas sinceramente, eu não estou. Você não acha que deveria se revelar para seu adversário? — o Devorador perguntou calmamente para a solidão da floresta.
Tudo bem. Eu já estava planejando aparecer para você mesmo. — Tess surgiu caminhando com dificuldade. Parecia que tudo ao seu redor tinha ficado mais denso pela simples presença do Devorador de Éter. — E então, Äter… O que planeja fazer quando passar por mim e seguir viagem rumo a cidade de Anatoli e todos os seus habitantes? Planeja sugar a essência vital deles? Planeja devorar toda e cada grama de poder que sobrou nesse mundo e, por fim, aniquilar os restos mortais desse mundo e partir para outro mundo até terminar com este plano inteiro? Essa é a missão que Lewenstat te deu quando você atravessou a porta?
O que Lewenstat me disse ou não disse para fazer não importa. Quando eu atravessei a porta, tudo o que eu podia pensar era em entender como esse plano funcionava e quais eram as características dele para o resto do Omniverso. O que eu descobri é que simplesmente tem coisas aqui que precisam ser eliminadas, mesmo que o desejo de Periculum seja a preservação absoluta de tudo, não que eu precise falar sobre o desejo dele pra você, não é mesmo?
Uma lufada de vento soprou, tão afiada quanto uma navalha e isso cortou todo o espaço ao redor do Aeter Eater. Ele nem ao menos se incomodou, dando um sorriso de escárnio, afinal ainda sabia como provocar o menino, mesmo que ele fosse jovem pelos padrões daquele mundo, ele era mais velho do que a própria existência em alguns aspectos. Era bem divertido pra falar a verdade. Tess, a criança que nasceu para se sacrificar, era o título que carregava, apesar de ter disfarçado isso com toda a fama e glória de uma posição superior.
Desculpe se te ofendi, Criança Primeva, mas você sabe que é verdade. Você não é nada além de um saco de carne pronta para o abate, sozinho até o fim! — o Devorador gritou para Tess, como que a intimidá-lo.
Está enganado, Etherias… Eu encontrei amigos uma vez. Muito tempo atrás, e num tempo que ainda vai acontecer, eu encontrei amigos que não me deixavam sozinho, não me abandonavam, me amparavam e estavam sempre me esperando voltar pra casa. Eu tenho meu irmão, tenho meus amigos e sempre terei alguém que vai ficar comigo nas piores horas. — a pressão do poder do garoto aumentou uma infinidade elevada à quinta potência. Parecia que Tess era o infinito, a eternidade, o tudo e o nada, que ele era a realidade em si.
Então você resolveu mostrar do que é feito, Tess Leon? Bem, vamos começar a nossa dança, meu caro amigo, e que seja de uma vez por todas! — o monstro apenas soprou, e uma quantidade absurda de energia saiu de sua boca de encontro ao menino.
Patético! Se isso é só o que você pode fazer, então está na cara quem ganhará essa batalha. — com apenas um movimento das mãos, a energia etérea se difundiu e foi absorvida pelo campo de batalha, e com apenas um aceno das mãos, o sol lançou uma imensa onda de luz e calor em direção o Devorador.
Isso! Alimente o monstro que você teme, meu caro! Só me deixará mais poderoso a cada passo do caminho! — a criatura imediatamente abriu a boca e comeu toda a onda de energia solar que se precipitava contra ele, e isso pareceu deixá-lo imensamente mais forte.
Ninguém conseguiu ver o momento em que Etherias se impulsionou na direção do menor e desferiu um poderoso soco que abriu o chão em fenda. Tess suportou o golpe com uma defesa de braços, mas a dor que sentiu percorrer seu corpo era como se uma ferida fosse aberta por todo o seu corpo e jogassem sal, alcool e limão. O menino quis chorar e quis gritar, mas agora ele estava sozinho e precisava vencer essa batalha sozinho, pelo passado que ele teve e pelo futuro que ele teria…
Com um salto, Tess saiu da fenda que estava e invocou um tornado de raios e jogou contra o Etherias, mas este apenas comeu a energia elétrica, concentrou isso pelo seu corpo e se impulsionou novamente contra o menino, dessa vez desferindo uma série de chutes a uma incrível velocidade. O som de ossos partindo podia ser ouvido a uma distância enorme, e Tess foi jogado para trás sentindo todo o seu peitoral virando poeira. Mesmo assim ele se levantou e invocou a lava e prendeu Etherias em uma esfera de lava. Rapidamente, o monstro comeu a energia do calor e se soltou da rocha sólida, devolvendo todo o golpe com um rugido ensurdecedor.
O que você tinha dito mesmo, Tess? Ah sim: “Patetico! Se isso é o melhor que pode fazer, então já sabemos quem é o vencedor dessa batalha”. Acho que isso se aplica muito bem a sua situação atual, não é mesmo? — Etherias se aproximava lentamente, confiante de sua vitória. Tess não conseguia mover nenhum músculo, e todo o seu corpo parecia querer afundar nas trevas da inconsciência, mas esse não era um luxo permitido.
Etherias, eu te dei todas as chances de fugir. Eu te dei todas as oportunidades para que você se salvasse, mas agora minha paciência acabou. Eu sinto muito, mas você não me deixa escolha.
E do nada, tudo mudou. Todo o espaço desapareceu e o tempo não fluía mais. Tudo parecia ter sido deixado para trás, como se aquela realidade não fosse mais a versão original, e sim apenas uma cópia fajuta da verdade. Pela primeira vez em sua existência, Etherias sentiu medo. Medo de ser esquecido, medo de ser desacreditado, medo de desaparecer. Tess estava parado no mesmo lugar, sem conseguir se mover, mas seus olhos eram incríveis, resolutos, confiantes, furiosos. Naquele momento, Tess era absoluto.
Eu, Tess Leon, a Criança Primeva do Perigo, pelo poder do mago Periculum, estou te exilando, banindo, ostracizando, execrando e maldizendo. Você não terá passado, pois ninguém lembrará de você, não terá presente, pois nenhum lugar irá te acolher, e não terá futuro, porque não existirá mais. Aetherius Void!
E se concretizou. Äter Ausgehungert se viu preso em uma falha da existência, onde não havia energia para comer. Seus poderes eram inúteis ali, e agora era ele quem estava sozinho, e se via cada vez mais aterrorizado, enquanto a lembrança de que fora colocado ali por Tess Leon, a criança que subestimara e desacreditara, se tornava cada vez mais fraca e distante. Claro que aquilo não o mataria, que ele não seria destruído pela sua falha, mas agora o erro que ele cometera, cobraria o preço mais caro que se podia pensar.

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O livro de Calixto mudou repentinamente, reescrevendo toda história e o futuro do mundo, com uma velocidade assustadora. As letras se embaralhavam, tentando encontrar uma forma de organizar seus pensamentos de forma que condize-se com a linha do tempo atual a ser descrita, mas a realidade parecia simplesmente impossível de descrever. Era como um cubo mágico de 7 cubos: impossível de decifrar em pouco tempo. Calixto apenas observava o livro trabalhar, maravilhado com o que via, absorvendo cada grama de informação que podia, mesmo que parecesse bobagem.

Ah, então você também pode alterar as linhas do tempo? — disse o velho, hipnotizado com a beleza que o livro mostrava — Interessante. Vamos ver como você procede agora, criança.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Ahtrim Ayon – Aspectos – Insanidade é a Chave para a Genialidade

As peças estão se alinhando. De fato, pode parecer que são peças aleatórias se movendo em um tabuleiro, mas não. Ele sabe o que faz, e está fazendo uma obra grandiosa. Você só não sabe disso. Insanidade é o maior dos Sete Aspectos em questão de inteligência, e ele não se incomoda de ter um poder reduzido comparado aos seus iguais. Se seus planos iam bem, ele não precisava de poder bruto para vencer seus inimigos, como Barbárie. Decadência ainda estava aprendendo a caminhar, mas seus passos já eram muito largos, e as vezes maiores que as pernas. Não importa, ele tinha o que queria.
Muito bem, vejamos o que temos aqui para hoje: Salatiel e Aziel estão cada vez mais consumidos pela ideia de que a energia negativa do mundo precisa ser limpa, a Rainha Tenebrae está certa de que deve expandir seu império, o Deus do Caos clama pelo seu trono, Baphomet está se aproximando da origem dos problemas e Abaddon encontrou uma forma de possuir o Legado de Amitiel sem poder se preocupar. É, está tudo nos conformes. — comentou Pierrot, olhando para sua bola de cristal.
Não acha que está esquecendo dos pirralhos Planinautas? Eles atrapalharam nossos planos mais de uma vez, e eu não creio que você possa prever tudo. — Comentou uma nova pessoa, vestida de preto da cabeça aos pés, com um capacete a lhe cobrir a face. Tudo ao seu redor apodrecia e se desfazia em pó.
O que me importa?! Eu posso descer e esmagá-los com minhas próprias mãos! Eu sou o mais forte de vocês, e sabem disso, então me deixem fazer meu trabalho! — exclamou uma massa de carne e músculos surgindo a vista. Ela se mostrava enraivecida e agitada, e tudo ao seu redor parecia entrar em estado de ira descontrolada.
Paciência, meus irmãos. Nossa vitória está próxima, então não sejamos descuidados a ponto de deixar aquela molecada estragar tudo. Pelo que parece, Tess Leon decidiu que eles precisam treinar mais ainda antes dos próximos encontros, e se meus cálculos estiverem corretos, eles irão para a Cidade dos Artistas atrás da Alta Sacerdotisa de Zaira. Raven jamais se afastaria dos seus, e isso vai fazer com que ela carregue todos para meu domínio. — sussurrou o palhaço, criando um tabuleiro elaborado com várias peças e movendo todas elas até estarem em determinadas posições.
A Celebridade de Esloric está ficando cada vez mais fraca, e você poderá usar seu Receptáculo para assumir o governo da cidade. Mas não entendo porque você deseja tanto assumir o comando da cidade. Não existe nada lá além de um bando de artistas ensandecidos pelo frenesi da arte. Não tem nada valioso. — comentou Ishidan.
Sim, não tem nada valioso por lá além de algumas coisas. Talvez você não esteja atrás de objetos poderosos e sim de algo ainda mais forte. Começo a compreender o seu plano, meu caro irmão. Mas como planeja fazer com que todos dancem conforme a sua música? — disse a Barbárie.
Ah, meus caros… Eu consigo manejar inúmeras variáveis para prever os comportamentos resultantes. Posso fazer com que todos sigam meus comandos sem saberem sequer que estão fazendo isso por vontade própria. E farei isso com toda de maneira capciosa e inteligente. — um sorriso pavoroso se mostrou nos lábios do palhaço, mostrando crueldade, mas também sabedoria. Haveria propósito na sua loucura?

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A pequena menina de cabelos rosa chegou até o local de encontro. Seu longo vestido branco contrastava fortemente com seus olhos dourados e seu cabelo esvoaçante, mas ela não se permitia humildade agora. Tinha assuntos urgentes a tratar com suas irmãs. As três eram ligadas desde seu nascimento, então difícil se separarem, mas tiveram de fazer esse sacrifício. Agora estava na hora de se levantar e lutar novamente contra seus irmãos mais velhos. Das sombras nasce a luz, e a luz diminui a sombra.
Esperança foi até aquela colina onde os Ipês amarelos estavam sempre florescendo, de modo que sempre havia uma sombra linda a lhe esperar, oferecendo conforto e proteção. Ainda queria muito que Inocência e Lealdade chegassem rápido, afinal, estar sozinha era um dos seus maiores incômodos.
Queria que, pelo menos, ele pudesse me ouvir agora. — suspirou a garotinha.
Quem disse que ele não pode te ouvir? — sussurrou uma nova garota, chegando sorrateiramente. Era pequena, como uma criança humana de apenas seis anos de idade. Seus cabelos louros platinados, sua pele pálida e seus olhos azuis cintilantes mostravam algo que poucas crianças tinham hoje em dia: uma inocência gentil e carinhosa. Algo que poucos entenderiam.
Irmã! Que saudades! Como vão as coisas? Teve alguma notícia de Lealdade? Precisamos conversar urgentemente, Insanidade está ficando fora de controle! — a maior pôs-se a abraçar a recém-chegada com afeto e amor.
Sim, eu sei que nosso irmão está praticamente perdido em sua inteligência. Ele sempre foi o mais perspicaz de nós, mas também é o mais ambicioso. Ninguém nunca foi capaz de entender completamente seus planos, e eu temo que nem nós três juntas possamos fazer frente aos nossos três irmãos se Pierrot estiver no comando.
Ah, irmã. As vezes eu penso onde foi que erramos quando tentamos cobrir o mundo com nossos valores. Somos a encarnação dos conceitos que definem a humanidade como ela é, e nós criamos monstros que são iguais a nós e tentam desesperadamente criar o Caos e espalhar a agonia. — comentou a dama dos cabelos rosas.
São questionamentos que não devemos ter agora. Essas perguntas têm respostas, mas não as encontraremos enquanto estivermos paradas pensando em quem não devemos temer. — uma dama de preto chegou, com seus longos cabelos loiros e olhos extremamente castanhos e opacos. Ela parecia alheia a tudo ao seu redor, mas era apenas a impressão primária — Os planinautas e Tess Leon poderão cuidar dos acessos de nosso irmão enquanto ele quiser se fazer de bobo.
Lealdade! — as duas falaram em uníssono.
Sim, eu estou aqui. Eu respondi ao seu chamado, minha pequena irmã, mas agora não temos tempo para sermos cordiais. Vamos direto aos assuntos que viemos tratar. Silêncio ainda está desaparecido, e ele é o único que consegue frear todos os outros Aspectos, então temos que pensar num plano B até ele estar com vontade de ajudar.

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Silêncio estava apenas olhando tudo o que ocorria ao seu redor. Suas irmãs estavam apenas tentando fazer a contenção de danos, sem realmente extinguir o problema, e seus irmãos estavam cegos pela própria ganância. Nem mesmo em sua infinita sabedoria, Silêncio conseguia compreender o que motivava Pierrot a continuar com seus planos. Com um suspiro, o mesmo se levantou e começou a andar pela sua terra, ciente do invasor que o observava.
Eu sei o que está pensando, Nirmala. Você deve estar furioso por eu invadir suas terras novamente, mas é algo que eu preciso fazer.
Silêncio apenas olhou reflexivamente para seu aliado temporário. Analisou profundamente cada centímetro do corpo dele, como a medir o poder guardado em tão pouco espaço. Tess Leon. Aquele humano lhe intrigava profundamente, por ser capaz de feitos que nenhum mortal ou imortal sonhara em fazer. Silêncio apenas o olhava com seus olhos calmos, e seu rosto impassível, mostrando que estava aberto a uma “conversa”.

Silêncio, eu tenho que lhe pedir um favor: os Planinautas estão cumprindo seus destinos separadamente, mas haverá uma hora que meu irmão irá unificá-los, de forma que seus corações se fundam como uma rocha indestrutível. Você sabe que a amizade deles será a única coisa que impedirá todos os planos de todos os inimigos que existem agora e que ainda estarão por vir. Eu preciso que você se exima da batalha que está por vir entre os Aspectos, porque se eles crescerem e se fortalecerem, nada nesse mundo será capaz de detê-los. Porém, se você impedir esta guerra, eles serão acomodados, e não é esse o plano que eu tenho para eles. Por favor, Nirmala, se você tem algum apreço a mim, fique de fora desse confronto, ou eu serei forçado a agir.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Kronos Academy - Prisioneiros I

Prisioneiros I




A menina estava desacordada, mas tremia como se repousasse em uma geleira, contudo não era o frio o causador de seus tremores, e sim o terror do pesadelo em que estava presa.  Neles Diana revivia tudo outra vez, seus pais, sua infância, suas vidas passadas e sua breve vida como viajante.

Era uma noite quente de Julho, o ano era 1939, em breve a Europa explodiria em um conflito sangrento ainda pior do que os de anos atrás, e era sua responsabilidade evita-lo. Não importava o que as Moiras diziam. Ela tinha que salvar seu país, tinha que salvar seus pais, tinha que salva-lo. Seus esforços entretanto apenas aceleram a guerra, que devia iniciar-se em Dezembro, começou em Setembro.

Mais do que isso, a sua interferência permitira a criação das bombas atômicas. Permitira a destruição de duas cidades japonesas. Permitira a perca de milhões de vidas. Tudo por que tentara lutar contra o destino... Devia saber melhor. Agora ela observava Hiroshima, uma cidade antes tão bela ser devastada... O sonho ocorria em câmera lenta. Ela via crianças correndo enquanto o míssil começava a cair, em segundos nada havia restado do local exceto cinzas e ela própria.

O sonho mudou. Agora estava em um dos campos de concentração nazista, e ele estava lá. Lagrimas ainda mais grossas desceram pelo seu rosto. Queria gritar o seu nome, queria salva-lo, queria parar de ver. Mas não podia escapar da visão de monstros nazistas abrindo seu corpo como se ele fosse um rato de laboratório, sem sequer lhe conceder algum entorpecente...

- Diana! – ele chamava em sua dor – Diana!

- Diana!

Ela abriu os olhos e Tyler estava diante de si. Ela correu para os braços do amigo soluçando amargamente, Tyler correspondeu ao abraço com quase ternura. Ele sabia. Ele compreendia.

- O que você viu dessa vez? – questionou o rapaz com uma voz quase doce

- Nazistas... Eles... Faziam experimentos... – ela gaguejava e soluçava ao mesmo tempo

O rapaz apenas assentiu abraçando-a ainda mais forte. Ela sabia que ele procurava algo para consola-la, mas não havia o que pudesse dizer. Ela sequer tinha o luxo de dizer a si própria que não era real, por que era, Samuel tinha sofrido torturas indizíveis antes de padecer nas mãos dos Nazistas.

- Não é culpa sua – Tyler finalmente se pronunciou – Não foi culpa sua. Você fez o seu melhor.

Ela prosseguiu chorando sem poder responder. Pois fora sim sua culpa. Ela tentara evitar a guerra, tentara impedir que Samuel chegasse perto de um campo de concentração, mas o que fez foi tornar tudo pior. Samuel não devia ter sido um experimento cientifico, Hiroshima e Nagazaki nunca deveriam ter sido explodidas. Fora culpa dela, foram as ações dela que conduziram a guerra à isso.
Diana quase ficou grata quando as Moiras a puniram. Merecia tudo que acontecera. Merecia mal se reconhecer diante do espelho, merecia a alimentação precária e o trabalho forçado. Merecia as cicatrizes que permeavam seu corpo. Merecia os pesadelos. Tudo e um pouco mais.

- Ele ainda pode está lá fora – sussurrou Tyler após algum tempo – Pode ter reencarnado....

Ele não prosseguiu mas Diana sabia o que queria dizer. ‘Pode está aqui’. Mas ela preferia que Samuel não tivesse se tornado um viajante, preferia pensar que ele reencarnara em uma família feliz, que casara com alguma alma boa e tivera a vida que à ela fora negada.

Só então reparou que Tyler estava sem camisa, e embora tivesse um corpo bonito e atraente, estava maltratado pelos anos de cativeiro. As cicatrizes corriam suas costas e seus braços, antigas lacerações que se assemelhavam à marcas de açoite, um reflexo das cicatrizes dela. Ele provavelmente ouvira seu choro e fora imediatamente lhe socorrer.

- Desculpe te acordar – disse limpando as lagrimas – Eu sei que para você também não é fácil.

- Eu não me arrependo – ele sorriu com tristeza – Fiz o que fiz por eles. Para que não estivessem aqui em meu lugar. E para que não sofressem ainda mais... Só queria ter podido ajudar os outros antes de ter sido pego... Só tive tempo de... – ele se interrompeu, mas não precisava continuar, ela já sabia.

- Mas eles estão aqui agora. Eu não pensei...                                                                                                            

- Nem eu. Achei que caso se espalhassem pelo mundo, para diferentes lugares, as Moiras não poderiam traze-los sem violar as próprias regras. Mas o destino não quis assim. Dá a sensação que sacrifiquei tudo por nada.

- Não diga isso! Você mais do que ninguém sabe do que os salvou. Você lhes deu uma segunda chance! Você tentou evitar que os karmas se concretizassem!

- Talvez eu apenas tenha adiado o inevitável. Talvez no fim não possa salva-los...

- Você fez o seu melhor – ela ecoou as palavras que ele tinha lhe dito antes.                                    

- Mas no fim está certo – a voz de Nathan ressoou – Foi tudo por nada.

O rapaz loiro adentrou o pequeno cubículo, usava uma camiseta simples, e se via em seus braços cicatrizes idênticas às dela. Eu seu pescoço o grilhão, marca de seu status brilhava, refletindo a pouca luz.

- Ninguém perguntou sua opinião, Nathan – rosnou Tyler com ferocidade

- Mas ainda assim aqui eu estou pronto para concede-la – o loiro sorriu com cinismo – Você de fato não pode salva-los, Grace. Da mesma forma como Moses não pode salvar seu precioso Samuel.  Eles cometerão os mesmo erros novamente. Aquela Leona já tentou se aliar à mim. – ele riu com a voz carregada de ironia – Parece que tudo está destinado à acontecer da mesma forma novamente.

Tyler parecia prestes a soca-lo, o que fez com que Diana se levantasse e segurasse seu braço amigavelmente, como uma forma sutil de conte-lo.

Obviamente tal ato não passara despercebido por Nathan, que deu uma segunda risadinha de zombaria.

- Eu não sei de quem eu sinto mais pena – riu sarcasticamente – De você, Moses, em sua eterna pateticidade. De você, Grace, em sua eterna utopia. Ou dos demais, em sua ignorância.

- Eu sei de quem eu sinto mais pena – pronunciou-se corajosamente Diana – De você, Nathan, em sua eterna solidão.

- Você não traiu apenas às Moiras – prosseguiu Tyler – Traiu à todos nos.

- Eu fiz o que vocês deveriam ter feito! Se tivessem um pingo de discernimento! – pela primeira vez sua voz não possuía zombaria e sim verdadeiro ressentimento – Mas não importa mais. Quando tudo mudar o meu sacrifício será lembrado e recompensado, da mesma forma que a covardia de vocês.

- Você foi o covarde, Nathan! – acusou Tyler igualmente ressentido – Mais que covarde, um traidor. Todos depositamos confiança em você!

- Todos deviam ter me ouvido! – replicou o loiro – Eu fiz o que era melhor para mim, o que poderia ter sido melhor para todos nos se tivessem feito o que eu disse!

- Gostaria de saber o que Tomas diria ao ouvir isso – sussurrou Diana, os olhos azuis brilhando com uma crueldade que não lhe era habitual

- Sacrifícios foram necessários por uma causa maior – respondeu Nathan com a voz ligeiramente abalada – Eu nunca quis que tivesse sido assim. Se ele tivesse me ouvido...

- É isso que você disse à ele quando se viram pela ultima vez? Que sacrifícios eram necessários? – prosseguiu Diana – Responda, Nathan, foi isso que você disse ao seu irmão antes de...

- Não foi culpa minha! Eu não sabia o que ia acontecer! – o loiro rosnou – Tomas estava enfeitiçado por aquela vadia, não quis me escutar! Não pude impedir.

- Desculpas fracas, de um homem fraco – provocou Tyler em um tom venenoso – Tomas não merecia um irmão como você.

O loiro pareceu se enfurecer ainda mais, então sua expressão se modificou, de ira irracional para impassividade. Foi como ver um tornado se desfazer em calmaria em uma fração de segundo.

- Não importa. Tomas está morto. E logo todos os que não aderirem à nova ordem estarão também. Vocês ainda tem uma chance de não estar no lado perdedor, eu sugiro que aproveitem-na. Venham até mim quando estiverem prontos.

E sem dizer mais nada o loiro foi embora.


Diana segurou a mão de Tyler, e bastou um olhar para que se entendessem, eram próximos o suficiente para se comunicar sem uma palavra. Ela viu nos olhos dele que pensava o mesmo que ela. Sorriu, se tivesse seu único amigo ao seu lado seria o suficiente.