sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Ahtrim Ayon - Vini Dokkedal - O Lar dos Pilares

Entrar no Hall era uma honra que não deveria ser concedida a mim. Afinal, ali tinham coisas que eles poderiam sentir falta quando eu me for, mas pelo visto Niel confia em mim um pouco mais do que eu consideraria saudável para pessoas normais. E é assim que começa a caminhada para um local onde os bailes são eternos e as asas são delicadas e sutis. Da primeira vez que fui “convidado” para um dos Bailes do Hall, fiquei realmente perdido na quantidade de tesouros e de objetos preciosos que eu poderia adquirir.
Quando cheguei, a porta abriu-se com um rangido que indicava o tempo que levou para outra pessoa que não fosse um anjo pôr os pés naquele lugar. Isso realmente era desapontador. Pensei que mesmo com todas as dicas, os Ladrões ainda são inúteis sem mim e meu time. Quando cheguei ali, havia uma garota e eu a conhecia de vista. As vezes ela visitava locais que eu não me atrevia, e saia viva. Isso era um feito a ser considerado.
– Então você está aqui também? Pensei que Niel tivesse escolhido seus confidentes a dedo. Muito me assusta ele pensar em você como alguém que “merece a incrível honra e responsabilidade de ter acesso permitido no divino Hall dos Anjos.” – eu precisava tirar uma com a cara dela, mesmo sabendo que uma luta aqui me deixaria em desvantagem.
– Como se vossa mercê fosse em absoluto melhor do que eu. Seria evidente a qualquer olho que vê, mas é válido ressaltar que a diferença gritante entre nós e a mesma que pode ser encontrada entre uma poça de chuva miserável e ridícula e um oceano de poder vasto e impiedoso. Portanto, se deseja ainda ter uma cabeça no pescoço, sugiro que você não repita seus comentários indevidos sobre minha pessoa, e retrate-se comigo imediatamente pela sua ofensa anterior. – Emma Vongan era alguém difícil de lidar, com seu temperamento irritável e facilmente provocado. Isso explicava porque ela não tinha muitos parceiros em sua vida, assim como explicava porque eu amava tanto sua ironia refinada e sua falta de paciência. Um perfeito alvo para o bullying.
– Me desculpe, poderia repetir? Acho que dormi enquanto você fazia seu discurso aborrecido. Sinceramente, conversar com você é um desafio interessante, pois a cada palavra, a pessoa corre o risco de dormir e acordar com hipotermia causada pelo seu hálito refrescante. – e esse era o máximo que eu chegaria de provoca-la por hoje. Eu tinha amor ao meu corpo, e sabia que Niel não iria gostar de nós dois lutarmos logo ali. Quando as portas se abriram, eu pude ver em seus olhos a promessa: “mais tarde, bebê.”
Avançamos juntos pelo que deveria ser o Hall em sua forma mais humilde. Lia e Dayse já nos esperavam ao lado de uma figura magrela e alta, quase tão alta quanto eu. Seu rosto mostrava preocupação, mas ele me reconheceu de imediato quando adentrei no recinto, o que o tornou uma massa nebulosa de emoções. Acho que dei um bug no sistema mental do guri. Mas francamente, que esperaria que um Ladrão, um reles humano, poderia causar tanta confusão no Baile dos Cinco e voltar a mostrar as caras para todos? Eu deveria estar preocupado? Com toda a certeza, mas não ia ser divertido morrer de véspera.
Esperei que Niel nos apresentasse para as pessoas presentes e quase consegui ouvir os comentários maldosos de Emma sobre meu manto, ou minha aparência. Ela não era lá uma das mais bonitas também, aquela yuki-onna maldita. Elevei meu ego para ignorar até mesmo os pensamentos do magrelo e me dirigi ao anfitrião:
– Niel, posso ter uma palavrinha com você? A sós?
– Certamente. Vamos ao meu escritório. – o rosto dele expressava seu desagrado com a ideia do que eu poderia querer conversar a sós com ele. Provavelmente ele deveria estar pensando que eu iria pedir guarita por mais algum crime estúpido, como roubar um banco ou contrabandear animais raros.
Subimos as escadas até os aposentos privados de Niel, e ainda esperei que ele abrisse a porta para mim, apenas para irritá-lo levemente. Preferia conversar com ele enquanto ele expressasse emoções sobre mim, porque era muito tedioso ter de compartilhar minhas experiências e pensamentos com uma estátua de resposta inteligente. Uma vez dentro dos aposentos, deixei-o trancar a sala e me lancei em sua cadeira confortável atrás de sua mesa, e coloquei meus pés em cima do móvel, me inclinando para trás e sorrindo ironicamente.
– Suas boas maneiras não melhoraram com as aulas particulares da Ordem? Pensei que vocês fossem ladrões de alto nível, como seu mestre. O que você quer de mim dessa vez? Dinheiro? Mulheres? Diga seu preço, e eu vejo se posso cobri-lo. – o anjo de cabelo prateado e da única asa negra estava bem chateado. Era melhor eu pô-lo a par de tudo rápido.
Pois é, Niel Brokenhawk. Soube que você foi um zero à esquerda durante o Baile dos Cinco. Pensei que o todo poderoso Anjo Negro fosse alguém que pudesse acabar com aqueles Tenebrae bem fácil. Ao invés disso, eu tive que sumir com os pilares da festa e esperar pelo melhor com aqueles malucos do outro mundo. Inclusive, você está mandando um desses malucos para a morte certa em Layan. Sabe tão bem quanto eu que ele não tem o mínimo de treinamento ou força para restaurar as pessoas da cidade antes de Abaddon conseguir o que quer que ele esteja procurando.
– Ora, não seja ridículo! Loo tem todo o potencial e o treino que eu e Dayse pudemos… Espere um minuto. Você está dizendo que roubou os Cinco Pilares que sustentam toda a nossa realidade? Está dizendo que você está em posse dos cinco objetos mais poderosos que se tem ciência da existência e os mantém escondidos debaixo dessa capa? Você é louco? Tem alguma ideia do que sua Ordem pode estar tramando com isso agora mesmo? – Niel surtara, como eu previ.
– Relaxa bem ai, Niel. Eu não sou idiota de confiar na Ordem do Ladrão do Manto Negro para esconder algo tão poderoso quanto os cinco pilares. Por isso, eu os tirei desse plano e os conectei dentro de cinco pessoas do mundo humano. Como nosso mundo está diretamente ligado ao seu mundo, eles serão pilares a longa distância.
Pronto, Niel começou a gritar e fazer um escândalo. Eu pacientemente aguardei até que ele estivesse totalmente refeito do choque. Mas poxa, ele deveria esperar algo assim, afinal, ele disse que deveríamos nos desfazer de algo para conseguirmos novas coisas. Ás vezes, ele é confuso, mas sempre tem razão no final. Olhei novamente para o anjo e decidi por bem, pegar uma bebida. Achei que seria a melhor oportunidade para encher a cara de graça antes de ir na missão suicida. Niel jogou-se na cama e irrompeu em uma crise nervosa, com tremores e choro.
– Ei, não fica assim. Só porque o Tempo, o Espaço, o Destino, a Harmonia e a Fantasia estão dentro de pessoas vivas e com consciência, não quer dizer que deixaram de ser os pilares de sustentação mundial. E outra, foi ele quem indicou essas pessoas, então não teremos problema nenhum. – servi duas taças e entreguei a com maior conteúdo para o anjo. Ele parecia realmente abalado.
– Se isto vazar, você e seu primo serão condenados a fogueira, Vini. Tem noção do quanto isso é grave? Não faz a mínima ideia, né? Como sempre, vocês fazem algo e não tem a mínima ideia do que foi feito que pode afetar os outros mundos e as outras pessoas. Como você acha que isso nos ajuda? Só coloca todos em perigo!
– Niel, eu confio nele. Você também deveria confiar, pelo menos um pouco. Ele nos ajudou tanto no passado e ainda ajuda. E nem ao menos pede reconhecimento. Acho que dessa vez, ele merece todo o crédito. Então, eu tenho que dar uma de fodão agora para me redimir depois.
– Roubando tudo o que sustenta nossa realidade e que torna possível a coexistência dos planos sem que esta dimensão entre em colapso com outras dimensões do multiverso? Se você não for queimado vivo, eu realmente virarei sua prostituta de luxo! – Niel gritava exasperado. Gostei da ideia de ter Niel como meu puto. As riquezas e o poder envolto nisso, me fazia sorrir só de pensar.

– Pois que seja então, Niel. Só vim mesmo lhe dar este aviso. Se quiser algo a mais, além das explicações, sabe meu preço e onde me encontrar. Agora vamos embora desse quarto, meu caro anfitrião. Afinal, é deselegante deixar tais ilustres visitas sozinhas com os convidados. 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Ahtrim Ayon - Zien Masashi - Meu Último Baile

        

Quando que tinha apenas meus saudosos 15 anos de mocidade, eu era o membro mais velho da minha família, contudo o mais fraco também. Isso meio que não me importava, pois eu era feliz. Apesar de ser o mais fraco, eu estava sendo treinado diariamente para assumir meu posto como futuro governante e patriarca da Família Masashi. Somos realmente pessoas bem distintas, com traços ainda mais distintos, mas eu acho que eu sou o que parece mais normal da minha família toda. Mas depois eu comento isso, por agora você deve estar interessado no Baile dos Cinco.
Pois bem. O Baile dos cinco é uma ocasião muito divertida que acontece uma vez por ano, e é responsabilidade das cinco Dinastias realizar esse evento tão valoroso para a população. Veja bem, nosso mundo é sustentado por cinco pilares, que consistem em cinco objetos que acumularam e concentraram efeitos mágicos ao longo das eras, em que o criador Periculum se afastou de nós. Nós, Masashi, a família dos Dai Maou somos responsáveis por um desses pilares, e as outras dinastias são responsáveis por outros pilares com outros conceitos. 
Enfim, voltando ao que importa, hoje à noite será o Baile dos cinco, e eu e meus irmãos estaremos prontos para festejar como a vida é boa e como a união e amizade das famílias tem perdurado e há de perdurar ainda mais. Eu estava no meu quarto junto dos meus irmãos Aylan e Harum, vestindo meu terno enquanto Aylan invocava seus serviçais zumbis para vesti-lo e Harum tentava se amarrotar dentro de um terno que apesar de bom no comprimento, ficou exageradamente grande na largura. Sério, meu irmão deve ter uns dois metros, e pesa no máximo 50 kg.
– Acho que esse terno vai precisar de ajustes de última hora. Aylan, pode pedir a algum zumbi dar uns pontos pro Harum? – perguntei eu. Como sempre, ser o cara fraco que não tem poderes sempre tinha a vantagem de que eu terminava de me vestir primeiro.
– Tá bom, mas eu não sei se terá quem alcance os ombros dele – disse o pequeno. Aylan tinha a aparência de uma criança de dez anos de idade, e parecia que ele não cresceria mais que isso.
Alguns zumbis foram invocados e ajudaram Harum a adequar o traje ao seu corpo esquelético. Terminamos de nos vestir, fomos para o quarto das meninas e as encontramos fabulosas em suas vestimentas. Chiru, Dusk e Dawn pareciam que estavam prontas para se encontrar com alguém da realeza de tão belas que se aparentavam. Cheguei no quarto e as convoquei para irmos logo para a Catedral do Baile.
Ao chegarmos no imenso hexágono de cristal leitoso, com teto unido em uma ponta central, entramos para o ambiente mais luxuoso que veríamos no decorrer do ano: paredes de cristal branco leitoso com janelas escavadas cobertas de metal brilhante trabalhado em arabescos. O chão era um mosaico de vários tons de mármore e granito. Do centro do teto, pendiam tecidos que tinham as cores e as insígnias das Dinastias, cinco ao todo. Havia uma fonte feita de taças cristalinas de onde jorrava um líquido espumante que mudava de cor ao ser tocado por mãos humanas, ao fundo tinha uma mesa enorme, com diversos pratos que não paravam de se reencher sempre que esvaziavam, e lado esquerdo, tinha um palanque que servia de palco para apresentações musicais e o centro era uma perfeita pista de dança para quem tinha coordenação motora para isso.
– Nossa, o baile está mesmo mágico esta noite. Eu adorei tudo o que fizeram aqui. – Chiru mostrava seu encanto no tom de voz, e seus olhos brilhavam refletindo o brilho do lugar.
– É, tá tudo muito lindo, mas eu quero comida, e agora eu vou pra mesa do buffet. Se precisarem de mim, estarei percorrendo as delícias culinárias do local. – Harum devia ser magro de ruim, pois comer mais do que ele era impossível.
– Não vá comer demais! – eu tinha certeza que ele não me daria ouvidos.
Entramos no recinto, Dusk com cara de tédio, Dawn com cara de brava e eu com meu sorriso tímido, mas Chiru já estava linda no meio do baila, e tinha encontrado seu melhor amigo de infância: Klaus Brahmani, um garoto de outra dinastia. Ambos já estavam dançando lindamente ao som da música agitada. Eu vi Dusk se afastar para cumprimentar velhos amigos de família, os Morgan Blake. Charlie e Alice estava esperando o primeiro bebê, então eu deveria ter ido cumprimenta-los também, mas preferi ficar no meu canto antes de acontecer alguma coisa.
Dawn repentinamente se juntou ao Harum na mesa de comes e bebes, enquanto um menino extremamente pálido da idade da Dawn a puxou para dançar. Seus cabelos brancos e olhos vermelhos como sangue não mentiam: ela estava dançando com Eli Einslaw. Só vi Dawn se movimentar sorrateiramente até um grupinho de garotas que devia estar amaldiçoando ardentemente minha irmãzinha e sussurrar alguma coisa que fez todas se apavorarem.
– Boa noite, Zien. Tudo bem com você? – perguntou-me um garoto gordinho, que eu reconheci como amigo da Dawn: Solem Arleckrew. – Você viu a Dawn por ai? Ela disse que dançaria uma música comigo.
Coitado do garoto. Minha irmãzinha cabeça quente dançando uma música lenta? Acho que não. Mas decidi não falar nada. Fui apontar para onde ela estava, mas a mesma tinha sumido. Tentei olhar pelo salão, mas só a achei alguns momentos depois voltando da varanda. Achei um pouco estranho ela estar com a cara vermelha, mas tudo bem. Nada demais. Indiquei a direção dela e fui na fonte de bebidas tentar achar algo para me dar coragem. Pelo canto dos olhos, vi um casal muito animadinho sair da varanda depois de um tempo. Chiru e Klaus. Decidi ignorar isso, afinal não é da minha conta.
Depois de um tempo, só vi a convocação de todos os futuros regentes para o Palanque. Comecei a tremer de ansiedade. Podem dizer o que quiserem, mas eu estava apavorado. Sou tímido mesmo, mas subi no palanque com todo o suor do mundo, mesmo naquele clima fresco. Assumi meu posto, e esperei Klaus Brahmani, Solem Arleckrew, Eli Einslaw e Ludmila Roukusou. Quando nos juntamos, pudemos enfim começar o discurso de união das dinastias, completávamos as frases um do outro no improviso para provarmos nossa união e confiança no próximo.
Mas foi ai que alguma coisa deu terrivelmente errado. Eu não conseguia soltar meu pilar ou mover minhas mãos, e isso estava me deixando completamente inquieto. Algo estava realmente errado, e isso se tornou mais evidente quando uma espécie de eletricidade negra começou a sair do pilar de Klaus, infectando todos os outros pilares. Logo nenhum de nós conseguia soltar seu pilar, nem conseguia se mover. Meu desespero foi tamanho que só me lembro de alguma coisa brilhante saindo de minhas mãos enquanto eu gritava alguma besteira qualquer.
Logo, uma força invisível me atirou contra a parede e isso doeu como nunca. Acho que doeu em todos os outros também, pois todos foram atirados por alguma coisa também. Só conseguia me lembrar de os pilares se juntando no tento e girando velozmente, abrindo um portal para algo escuro e sombrio. Queria ter ficado acordado mais tempo, mas algo parecia ter me paralisado e me forçava a dormir. Usei minha força de vontade para me manter acordado, mas me arrependi disso imediatamente.
Um sentimento horrível se instalou no meu peito, como se eu pudesse sentir algo literalmente perfurando meu corpo até se instalar. Quando olhei para o buraco novamente, estava saindo algo de lá de dentro, como uma fumaça negra, mas que emanava algo muito maligno. Só me senti desfalecer por alguns momentos, e em meus momentos out, fui visitado por algo que parecia uma sombra de um rosto, feita de fumaça negra, mas deformada para parecer algo tão assustador e brutal que fez meu coração parar por alguns segundos.
– Então, Zien Masashi. Você ainda tem a vã esperança que esse mundo pode ser salvo. Você testemunhou nosso poder. Nós abrimos um portal para o seu mundo através dos pilares que vocês tanto julgam intocáveis. Se podemos fazer até isso, o que acha que nos impede de matarmos todos aqui presentes e assumirmos Ahtrim Ayon? – sussurrou aquela coisa para mim.
– V-vocês só tiveram sorte. Não existe ninguém que consiga tocar naquela magia sem carregar o sangue da dinastia. Vocês não tem nem como pegar nos pilares, sem nossa ajuda. – eu estava tremendo tanto, estava tão assustado que nem conseguia manter um tom de voz decente.
A coisa riu, e continuou a debochar de mim, demonstrando seu poder abissal. Mas era algo que ia além dos abismos mais profundos que eu já considerava. Era algo realmente maligno, sem nem mesmo uma luz interior, e algo assim só podia vir dos Tenebrae. Uma raça tão antiga quanto a criação dos planos. Ninguém jamais teve poder suficiente para destruir uma civilização inteira, e o único que conseguiu peitar aquelas coisas se foi a muito tempo.
– Vocês não vencerão. Ainda existem pessoas que podem por vocês no cercadinho e fazê-los implorar pela mamãe. E eu vou pessoalmente atrás deles. Vocês verão. Vocês serão exterminados para sempre. – dessa vez, eu fui bravo. Eu consegui me manter firmo o suficiente para fazer aquele Tenebrae vacilar. Esse foi o timing perfeito para jogar uma esfera de plasma do meu recém-descoberto poder nele e quebrar aquele controle mental.
Quando voltei a mim, eu sabia o que fazer, mas precisaria de algum planinauta para me ajudar. Charlie estava perto de mim, e eu vi, várias formas fumacentas tentando matar as pessoas. Todos ali tinha, dificuldade de lutar contra aquelas coisas ancestrais. Eu me levantei, enquanto Dusk e Dawn tentavam inutilmente me proteger, mas algo revirou meu estômago como se dissesse que era melhor eu desistir. Ignorei isso e caminhei até os pilares.
Charlie veio atrás de mim, numa tentativa de me proteger, mas ao me olhar nos olhos, ele soube que eu estava certo e que aquilo precisava ser feito. Ele se transformou em sua forma luminosa e passou a rodear o Tenebrae mestre com uma rapidez assustadora, enquanto eu me concentrava com os pilares e condensava meu poder através deles, até a dor se tornar insuportável no meu corpo. Tudo aquilo recém descoberto era muito imprevisível e eu não sabia como lidar.
Quando finalmente terminei de concentrar tudo o que tinha, vi Charlie preso por garras de fumaça presas nele enquanto o ser soltava uma baforada de sombras em seu rosto, e eu soube que era a hora certa. Charlie deve ter entendido, pois quando eu liberei meu poder, conduzi através do corpo do Charlie e ele quebrou a dimensão ao meu redor, levando tudo com ele de volta para a dimensão dos Tenebrae. Mas esvaziar meu poder teve uma consequência: minha alma ficou presa entre a dimensão dos Tenebrae e a minha dimensão, e só tive tempo de pedir desculpas antes de afundar no leito do esquecimento.