Ahtrim Ayon – Miloev – Estrelas em Deity Pantheon
Se você aposta que podem
existir estrelas sob o mesmo céu que os deuses habitam, então você
está completamente enganado. O mundo dos deuses é bem diferente de
tudo o que você já viu, ao mesmo tempo que guarda uma beleza
surreal também tem um caráter assustador que intimida todos que ali
chegam. Menos os deuses. Ah, esses seres de grande poder e presença,
que uma vez já tiveram mais forças, e hoje apenas escolheram não
se meter mais nos problemas dos meros mortais. Exceto um deus. Apenas
um deles ainda está disposto a intervir pela humanidade. .
Os dezesseis deuses comandantes
de Deity Pantheon estão desfalcados desde que o Imperador dos Deuses
abdicou da imortalidade para renascer como humano e reencarnar como
deus entre os humanos. Poucos sabem confirmar se essa lenda é
verdadeira, e menos ainda podem dizer que toparam com o deus
encarnado. Ele aparece para lhe acompanhar em tempos de crise e ser o
guia que a humanidade precisa para “dar o próximo passo”, ou,
pelo menos, é isso o que está escrito no Codex Magnum dentro da
Cidade Santuário: Amika.
Os outros deuses são apenas
pessoas que escolheram ascender a poderes tão grandes quanto um
conceito de existência. Existem incontáveis deuses, que se
refugiaram no plano depois de virem de outros locais e outros mundos.
Zeus, Hades, Odin, Thor, Tupã, Jaci, vários outros deuses vieram
para nosso plano para se refugiarem, e todos eles ganharam um local
para se ocuparem em Deity Pantheon. Mas nunca teve lugar para as
estrelas. Elas eram seres que não tinham local nos céus daquela
zona, pelo seu significado. Os deuses e os Alluette já tinham tido
muitas tretas entre si, e não era recomendável fomentar mais delas.
A deusa rainha é a Deusa Fênix,
Miloev. Ela é a deusa da Vida, da Criação, do Fogo e da Justiça,
a única que pode ocupar o trono dos deuses na ausência eterna de
seu marido, o Deus Humano, Senhor de todos os Acasos, Imperador dos
Deuses, Personificação do Éter. E como ele abdicou da imortalidade
para reencarnar entre os humanos para todo o sempre, a deusa agora
deve cumprir com sua tarefa de governar as outras deidades. Mas hoje,
ela não está preocupada com isso. Hoje ela tem assuntos mais
importantes a tratar do que apenas impedir que um bando de
desesperados pelo poder se matassem por uma cadeira.
Lawliet a esperava por algumas
horas até agora, mas isso era pouco para quem tinha a eternidade
pela frente. Os assuntos pelos quais ele vinha tratar eram urgentes,
afinal, ele não podia sair de sua zona com facilidade, mas agora ele
estava ali. A Grande Deusa deveria lhe escutar, para entender o que
poderia ser tão grave a ponto de fazê-lo sair de seu conforto e de
perto de sua pequena garota. Com um resmungo, ela levantou-se de seu
trono e caminhou de forma altiva para o Lago das Bençãos, onde o
Deus da Cyberzone a aguardava. Uma vez lá, a deusa tirou o pesado
manto e ficou apenas com seu vestido leve de penas vermelhas e
douradas.
— Está atrasada, deusa
flamejante. Eu tenho pouco tempo. — um homem corpulento e musculoso
estava a espera da deusa, sentando num dos bancos de madeira próximos
ao lago. — Sente-se. Eu preciso conversar com você e trazer uma
mensagem do seu antigo amigo.
— Acho que ambos temos muito
sobre o que conversar. Mas você tem mais coisas a contar agora do
que realmente pode. Seja rápido. — replicou a moça.
— Bem, a começar pelas novas
mais leves: Magnus foi derrotado pela Sophie e agora Baphomet tem um
corpo para andar livremente de um lado para o outro. Antes dele ser
derrotado, ele criou uma fera enlouquecida chamada Jaguadarte que
agora etá sob o domínio dos Tenebrae e de quebra ele ainda libertou
a Decadência de sua zona de confinamento. Além disso, Os Tenebrae
invadiram o baile dos cinco, e eu suspeito que eles usaram o sangue
amaldiçoado da garota, e provavelmente teremos encrencas com os
arcanjos. Isso é o que posso lhe atualizar por agora.
A deusa pareceu considerar tudo
por um momento antes de suspirar pesadamente. As coisas estavam se
precipitando muito mais rápido do que ela tinha pensado, e pelo
visto ela não tinha controle do que aconteceria de agora em diante.
Ela queria tanto que seu marido estivesse pronto, mas nesse momento,
ele não passava de uma criança.
— Conte-me mais sobre a
garota. Sophie, estou certa? Ela é sua escolhida? Você vai mesmo
treiná-la e fazer seu melhor para que ela seja uma boa guerreira?
— Eu vejo mais pelo ângulo de
que ela é uma amiga preciosa que precisa ser ensinada a se defender.
E pra isso, eu vou dar o poder que ela precisa, mesmo que seja a um
custo alto. — Lawliet escondeu o rubor que vinha para suas
bochechas. Seu corpo mortal estava ainda se habituando às reações
e era esquisito sentir esse calor do sangue — Hey, isso são
estrelas? Desde quando as estrelas são bem-vindas aqui na nossa
zona?
— Elas não são! — isso
escapou entre um rilhado de dentes terrível da deusa. A mesma estava
muito irritada com a situação da zona, com estrelas aparecendo,
deuses sumindo e seu filho calado. As coisas estavam estranhas. —
Não entendo porque as malditas estrelas dos alluette não saem de
nossa zona! Já estou com dor de cabeça com todos esses vaga-lumes
grudados no meu céu.
Lawliet deu uma risadinha. Ele
podia saber a razão de porque os alluette e os deuses tinham tretas
um com outro, mas queria distância dessa briga. Pelo que sabia, os
alluette eram uma raça alienígena que vivia em outro mundo,
diferente deste e que chegaram aqui vindos de uma desgraça. Uma das
antigas Dinastias tinham caído em desgraça, então Periculum nomeou
uma nova para suprir as demandas desse mundo. Acho que isso deve ter
enfurecido os Deuses, pois uma raça que tinha chegado recentemente
já ganhava um posto de respeito e os semideuses tinham que se
contentar com cargos baixos.
— Já pensou que talvez exista
uma razão para tudo isso? Que as estrelas estão anunciando algo que
ainda não sabemos ler? Bem que um áugure cairia bem agora, ou mesmo
um oráculo. Precisamos de orientação e é a única coisa que não
temos. — o Cyberlord replicou.
A deusa baixou a cabeça como se
reprimisse alguma coisa. “Então você admite que precisa de
ajuda?”, era tudo o que Lawliet queria dizer a Miloev, mas não
queria morrer tão cedo. Há incontáveis milênios, quando Ywen
decidiu que deveria assumir o Trono dos Deuses, um guerreiro humano
surgiu dentre os mortais e derrotou o Deus do Vazio, devolvendo o
trono para a brava deusa fênix. Pouco se sabe sobre esse guerreiro,
e muitos acreditam que ele seja apenas uma lenda. Para a grande
maioria dos deuses, ele realmente é, mas para os Dezesseis Grandes,
Tess Leon vive e reina firme e forte como o detentor de um destino
binomial.
— Eu me recuso a pedir ajuda a
Tess Leon de novo. Não serei humilhada por um simples mortal para
que ele saia impune. No máximo, pedirei ajuda para Kalynka, já que
ela é a Papisa de Amika. Ela deveria saber o que fazer com essas…
Estrelas malditas.
— Bem, boa sorte com isso.
Kalynka Hakway vai ter bastante trabalho pelos próximos meses. Soube
que o Imperador dos Deuses está despertando esses dias em Amika. — soltou o deus
distraidamente.
׆††×
Ywen tentava escutar a conversa
de sua mãe com o Cyberlord, mas perdeu totalmente a concentração
quando ouviu o nome de seu pai. Um ódio sem limites emergiu do âmago
de seu peito e queimou como fogo em seu estômago. Ele realmente
estava furioso, por seu pai ter voltado dos mortos novamente. Sempre
sonhara em ter sua família de volta, mas aquele homem continuava
trocando os seus parentes pelos ayones a cada geração, partindo o
coração de sua mãe e renegando seu filho primogênito seu direito
primal.
Um grito gutural varreu a área
ao seu redor, e transformou tudo em um imenso vazio. Seu poder estava
reagindo as suas emoções, que estavam completamente confusas. Como
ele queria que seu pai pudesse amá-lo e abraçá-lo, em vez de
repreendê-lo e escorraçá-lo, como ele tinha feito a tantos anos,
mandando Tess Leon para um combate em seu lugar. O quanto isso lhe
doía hoje, o quão humilhado ele ficava evocando essa lembrança à
mente. Colocando controle em si novamente, recolheu seu Vazio e
pôs-se a observar novamente sua mãe conversando com o seu amigo.
— Tentando ouvir as conversas
dos outros per detrás da porta? Não é educado da sua parte fazer
isso, meu caro… — clamou uma voz já conhecida por ele. Ywen se
infureceu ao ver que ela tinha novamente visto mais um pouco de seus
planos.
— Quantas vezes já lhe falei
para não me atrapalhar em minha esfera, Alesha? Eu tenho assuntos
importantes a tratar com sua avó e ela está lá conversando com o
Cyberlord. O que você quer, garota infernal? — o deus do Vazio
gritou para a pálida figura que se encostava no portal aberto em sua
zona.
— Triste por me ver, papai?
Acho que você me deve um pouco mais de atenção do que você me deu
quando fugiu deixando minha mãe grávida de mim e sem saber o que
fazer abandonada na Cidade Santuário. Você quer ferrar com todas as
mães do mundo ou o que? — Alesha deu mais um passo afrente.
— Não é isso, pirralha! Meu
pai nasceu de novo, e agora eu posso mostrar a ele o quão forte eu
fiquei e que sou digno do trono dos deuses. Eu preciso saber um pouco
mais sobre isso. Não tenho tempo para suas carências de menina! —
o deus acenou com as mãos como se dispensasse a jovem, mas ela não
se moveu.
— Eu não acabei ainda. Eu é
que não tenho tempo para seus ataques de infantilidade. Eu preciso
que você se recomponha, afinal teremos uma tarefa muito importante a
cumprir. Se quiser, eu até ajudo você a derrotar seu pai dessa vez,
mas pra isso precisa me ajudar.
O deus do Caos já tinha
preparado uma esfera de destruição para aniquilar sua filha, mas a
proposta o pegou desprevenido. Quem diria que ter filhos poderia
ajudar um dia. Era arriscado deixar que ela se pusesse no comando da
operação, mas certamente seria bem menos chamativo uma mortal
qualquer realizando certos serviços do que a encarnação da
destruição caminhar pela terra para fazer o mesmo.
— Muito bem, guria. Qual o seu
plano?
׆††×
Do outro lado da existência, na
cidade de Amika, um garoto acordava de um sonho muito estranho.
Envolvia uma donzela de longos cabelos flamejantes e outras pessoas
que ele conhecia sem conhecer. Ele sabia que tinha sido apenas um
sonho, mas também sabia que era algo tão real quando a própria
existência. Não cabia a ele duvidar daquilo. Levantou-se da cama,
vestiu-se e foi tomar o desjejum com seus pais, mas deu de cara com
um garoto magro, com cabelos negros muito curtos e um cavanhaque e
intensos olhos cor-de-mel, ou esverdeados, era difícil definir.
— Olá, meu senhor. Eu me
chamo Tesse Leon e temos muitas coisas para conversar. Não que eu
queira alarmá-lo, mas você precisa saber disso o quanto antes: você
é o Imperador dos Deuses dessa geração, o supremo criador da Ordem
e da Casualidade. Eu sinto muito.







