sábado, 30 de maio de 2015

Ahtrim Ayon – Miloev – Estrelas em Deity Pantheon

Se você aposta que podem existir estrelas sob o mesmo céu que os deuses habitam, então você está completamente enganado. O mundo dos deuses é bem diferente de tudo o que você já viu, ao mesmo tempo que guarda uma beleza surreal também tem um caráter assustador que intimida todos que ali chegam. Menos os deuses. Ah, esses seres de grande poder e presença, que uma vez já tiveram mais forças, e hoje apenas escolheram não se meter mais nos problemas dos meros mortais. Exceto um deus. Apenas um deles ainda está disposto a intervir pela humanidade. .
Os dezesseis deuses comandantes de Deity Pantheon estão desfalcados desde que o Imperador dos Deuses abdicou da imortalidade para renascer como humano e reencarnar como deus entre os humanos. Poucos sabem confirmar se essa lenda é verdadeira, e menos ainda podem dizer que toparam com o deus encarnado. Ele aparece para lhe acompanhar em tempos de crise e ser o guia que a humanidade precisa para “dar o próximo passo”, ou, pelo menos, é isso o que está escrito no Codex Magnum dentro da Cidade Santuário: Amika.
Os outros deuses são apenas pessoas que escolheram ascender a poderes tão grandes quanto um conceito de existência. Existem incontáveis deuses, que se refugiaram no plano depois de virem de outros locais e outros mundos. Zeus, Hades, Odin, Thor, Tupã, Jaci, vários outros deuses vieram para nosso plano para se refugiarem, e todos eles ganharam um local para se ocuparem em Deity Pantheon. Mas nunca teve lugar para as estrelas. Elas eram seres que não tinham local nos céus daquela zona, pelo seu significado. Os deuses e os Alluette já tinham tido muitas tretas entre si, e não era recomendável fomentar mais delas.
A deusa rainha é a Deusa Fênix, Miloev. Ela é a deusa da Vida, da Criação, do Fogo e da Justiça, a única que pode ocupar o trono dos deuses na ausência eterna de seu marido, o Deus Humano, Senhor de todos os Acasos, Imperador dos Deuses, Personificação do Éter. E como ele abdicou da imortalidade para reencarnar entre os humanos para todo o sempre, a deusa agora deve cumprir com sua tarefa de governar as outras deidades. Mas hoje, ela não está preocupada com isso. Hoje ela tem assuntos mais importantes a tratar do que apenas impedir que um bando de desesperados pelo poder se matassem por uma cadeira.
Lawliet a esperava por algumas horas até agora, mas isso era pouco para quem tinha a eternidade pela frente. Os assuntos pelos quais ele vinha tratar eram urgentes, afinal, ele não podia sair de sua zona com facilidade, mas agora ele estava ali. A Grande Deusa deveria lhe escutar, para entender o que poderia ser tão grave a ponto de fazê-lo sair de seu conforto e de perto de sua pequena garota. Com um resmungo, ela levantou-se de seu trono e caminhou de forma altiva para o Lago das Bençãos, onde o Deus da Cyberzone a aguardava. Uma vez lá, a deusa tirou o pesado manto e ficou apenas com seu vestido leve de penas vermelhas e douradas.
Está atrasada, deusa flamejante. Eu tenho pouco tempo. — um homem corpulento e musculoso estava a espera da deusa, sentando num dos bancos de madeira próximos ao lago. — Sente-se. Eu preciso conversar com você e trazer uma mensagem do seu antigo amigo.
Acho que ambos temos muito sobre o que conversar. Mas você tem mais coisas a contar agora do que realmente pode. Seja rápido. — replicou a moça.
Bem, a começar pelas novas mais leves: Magnus foi derrotado pela Sophie e agora Baphomet tem um corpo para andar livremente de um lado para o outro. Antes dele ser derrotado, ele criou uma fera enlouquecida chamada Jaguadarte que agora etá sob o domínio dos Tenebrae e de quebra ele ainda libertou a Decadência de sua zona de confinamento. Além disso, Os Tenebrae invadiram o baile dos cinco, e eu suspeito que eles usaram o sangue amaldiçoado da garota, e provavelmente teremos encrencas com os arcanjos. Isso é o que posso lhe atualizar por agora.
A deusa pareceu considerar tudo por um momento antes de suspirar pesadamente. As coisas estavam se precipitando muito mais rápido do que ela tinha pensado, e pelo visto ela não tinha controle do que aconteceria de agora em diante. Ela queria tanto que seu marido estivesse pronto, mas nesse momento, ele não passava de uma criança.
Conte-me mais sobre a garota. Sophie, estou certa? Ela é sua escolhida? Você vai mesmo treiná-la e fazer seu melhor para que ela seja uma boa guerreira?
Eu vejo mais pelo ângulo de que ela é uma amiga preciosa que precisa ser ensinada a se defender. E pra isso, eu vou dar o poder que ela precisa, mesmo que seja a um custo alto. — Lawliet escondeu o rubor que vinha para suas bochechas. Seu corpo mortal estava ainda se habituando às reações e era esquisito sentir esse calor do sangue — Hey, isso são estrelas? Desde quando as estrelas são bem-vindas aqui na nossa zona?
Elas não são! — isso escapou entre um rilhado de dentes terrível da deusa. A mesma estava muito irritada com a situação da zona, com estrelas aparecendo, deuses sumindo e seu filho calado. As coisas estavam estranhas. — Não entendo porque as malditas estrelas dos alluette não saem de nossa zona! Já estou com dor de cabeça com todos esses vaga-lumes grudados no meu céu.
Lawliet deu uma risadinha. Ele podia saber a razão de porque os alluette e os deuses tinham tretas um com outro, mas queria distância dessa briga. Pelo que sabia, os alluette eram uma raça alienígena que vivia em outro mundo, diferente deste e que chegaram aqui vindos de uma desgraça. Uma das antigas Dinastias tinham caído em desgraça, então Periculum nomeou uma nova para suprir as demandas desse mundo. Acho que isso deve ter enfurecido os Deuses, pois uma raça que tinha chegado recentemente já ganhava um posto de respeito e os semideuses tinham que se contentar com cargos baixos.
Já pensou que talvez exista uma razão para tudo isso? Que as estrelas estão anunciando algo que ainda não sabemos ler? Bem que um áugure cairia bem agora, ou mesmo um oráculo. Precisamos de orientação e é a única coisa que não temos. — o Cyberlord replicou.
A deusa baixou a cabeça como se reprimisse alguma coisa. “Então você admite que precisa de ajuda?”, era tudo o que Lawliet queria dizer a Miloev, mas não queria morrer tão cedo. Há incontáveis milênios, quando Ywen decidiu que deveria assumir o Trono dos Deuses, um guerreiro humano surgiu dentre os mortais e derrotou o Deus do Vazio, devolvendo o trono para a brava deusa fênix. Pouco se sabe sobre esse guerreiro, e muitos acreditam que ele seja apenas uma lenda. Para a grande maioria dos deuses, ele realmente é, mas para os Dezesseis Grandes, Tess Leon vive e reina firme e forte como o detentor de um destino binomial.
Eu me recuso a pedir ajuda a Tess Leon de novo. Não serei humilhada por um simples mortal para que ele saia impune. No máximo, pedirei ajuda para Kalynka, já que ela é a Papisa de Amika. Ela deveria saber o que fazer com essas… Estrelas malditas.
Bem, boa sorte com isso. Kalynka Hakway vai ter bastante trabalho pelos próximos meses. Soube que o Imperador dos Deuses está despertando esses dias em Amika. — soltou o deus distraidamente.

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Ywen tentava escutar a conversa de sua mãe com o Cyberlord, mas perdeu totalmente a concentração quando ouviu o nome de seu pai. Um ódio sem limites emergiu do âmago de seu peito e queimou como fogo em seu estômago. Ele realmente estava furioso, por seu pai ter voltado dos mortos novamente. Sempre sonhara em ter sua família de volta, mas aquele homem continuava trocando os seus parentes pelos ayones a cada geração, partindo o coração de sua mãe e renegando seu filho primogênito seu direito primal.
Um grito gutural varreu a área ao seu redor, e transformou tudo em um imenso vazio. Seu poder estava reagindo as suas emoções, que estavam completamente confusas. Como ele queria que seu pai pudesse amá-lo e abraçá-lo, em vez de repreendê-lo e escorraçá-lo, como ele tinha feito a tantos anos, mandando Tess Leon para um combate em seu lugar. O quanto isso lhe doía hoje, o quão humilhado ele ficava evocando essa lembrança à mente. Colocando controle em si novamente, recolheu seu Vazio e pôs-se a observar novamente sua mãe conversando com o seu amigo.
Tentando ouvir as conversas dos outros per detrás da porta? Não é educado da sua parte fazer isso, meu caro… — clamou uma voz já conhecida por ele. Ywen se infureceu ao ver que ela tinha novamente visto mais um pouco de seus planos.
Quantas vezes já lhe falei para não me atrapalhar em minha esfera, Alesha? Eu tenho assuntos importantes a tratar com sua avó e ela está lá conversando com o Cyberlord. O que você quer, garota infernal? — o deus do Vazio gritou para a pálida figura que se encostava no portal aberto em sua zona.
Triste por me ver, papai? Acho que você me deve um pouco mais de atenção do que você me deu quando fugiu deixando minha mãe grávida de mim e sem saber o que fazer abandonada na Cidade Santuário. Você quer ferrar com todas as mães do mundo ou o que? — Alesha deu mais um passo afrente.
Não é isso, pirralha! Meu pai nasceu de novo, e agora eu posso mostrar a ele o quão forte eu fiquei e que sou digno do trono dos deuses. Eu preciso saber um pouco mais sobre isso. Não tenho tempo para suas carências de menina! — o deus acenou com as mãos como se dispensasse a jovem, mas ela não se moveu.
Eu não acabei ainda. Eu é que não tenho tempo para seus ataques de infantilidade. Eu preciso que você se recomponha, afinal teremos uma tarefa muito importante a cumprir. Se quiser, eu até ajudo você a derrotar seu pai dessa vez, mas pra isso precisa me ajudar.
O deus do Caos já tinha preparado uma esfera de destruição para aniquilar sua filha, mas a proposta o pegou desprevenido. Quem diria que ter filhos poderia ajudar um dia. Era arriscado deixar que ela se pusesse no comando da operação, mas certamente seria bem menos chamativo uma mortal qualquer realizando certos serviços do que a encarnação da destruição caminhar pela terra para fazer o mesmo.
Muito bem, guria. Qual o seu plano?

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Do outro lado da existência, na cidade de Amika, um garoto acordava de um sonho muito estranho. Envolvia uma donzela de longos cabelos flamejantes e outras pessoas que ele conhecia sem conhecer. Ele sabia que tinha sido apenas um sonho, mas também sabia que era algo tão real quando a própria existência. Não cabia a ele duvidar daquilo. Levantou-se da cama, vestiu-se e foi tomar o desjejum com seus pais, mas deu de cara com um garoto magro, com cabelos negros muito curtos e um cavanhaque e intensos olhos cor-de-mel, ou esverdeados, era difícil definir.

Olá, meu senhor. Eu me chamo Tesse Leon e temos muitas coisas para conversar. Não que eu queira alarmá-lo, mas você precisa saber disso o quanto antes: você é o Imperador dos Deuses dessa geração, o supremo criador da Ordem e da Casualidade. Eu sinto muito. 

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Ahtrim Ayon – Arachne e Ophiuchus – Uma Conversa de Bar

As florestas de Ferália são um local perigoso para aqueles que não sabem como se guiar la dentro. Mesmo que você tenha nascido naquele meio, ainda assim será um local perigoso por sua exuberante fauna e flora, tão belas quanto mortais. Desde que Ariana Flemence tinha passado o rolo compressor sobre os habitantes daquele local, ninguém se atrevia a passar tanto tempo dentro de suas florestas, com medo das almas penadas que ainda assombravam aquele local como espíritos de vingança.
Arachne não tinha medo desses espíritos vingativos. Já tinha enfrentado problemas bem maiores para se tornar a Rainha das Aranhas, e não seria um monte de almas penadas que iriam lhe trazer esse desconforto no dia que encontraria ela. Foi uma luta para ambas se encontrarem, mesmo porque compartilhavam um interesse em comum: a dominação de Ferália, a cidade das feras e da selvageria. Quem diria que teriam de se encontrar quando estavam as portas de conseguirem seus objetivos?
As aranhas ao seu redor estavam eriçadas e agitadas. Elas sentiam a aura de poder que se colocava ao encontro delas a medida que sua velha conhecida chegava cada vez mais próxima. Arachne sabia e sentia o poder da outra. Ophiuchus. A senhora de todas as cobrar, Rainha das Serpentes, estava chegando para uma social com a mesma. Sentia saudades daquela maldita, por mais que não admitisse. Ela estava mais perto agora, podia ouvir o coleado de seu corpo reptiliano, se aproximando do ponto de encontro.
Ophiuchus poderia ter escolhido qualquer dia para encontrar com sua amiga, mas escolhera justamente o que poderia significar uma derrota desastrosa. Não se permitiria perder novamente para Arachne, não se permitiria ser humilhada novamente. Coleou mais um pouco com seu séquito de cobras atrás de si, sempre indo em direção ao poder da Rainha das Aranhas. Finalmente, depois de desbravar um pouco do contingente de árvores e mata fechada, encontrou a rainha esperando pacientemente por sua chegada.
Então, nos encontramos novamente. Está preparada, vadia?

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E as duas viraram as garrafas de veneno ao mesmo, bebendo tudo num só fôlego. Qualquer pessoa que bebesse aquela quantidade de toxina teria como sequela mínima, a morte instantânea, mas para aquelas duas, era apenas uma competição para ver quem ficava bêbada primeira. Não que fosse algo muito fora do comum, afinal aquelas duas eram bebedoras experientes e resistentes. Com um barulho de respiração, as duas pousaram as garrafas, se encarando e se medindo.
Então, vadia da bunda gorda, como andam suas aranhas? Alguma novidade do filho de Joseph Saouron? Ouvi dizer que o potencial destrutivo dele é gigantesco, suficiente para limpar qualquer cidade somente com a presença.
Normal, minha querida minhoca superdesenvolvida. Pelo que eu soube, o futuro Cobreiro estará pronto para vir lhe caçar assim que a Lua Verde se posicionar sobre ele. Ele vai poder arrancar seu couro pelo cu e você não vai conseguir vencê-lo.
Mais uma garrafa de veneno era ingerida a goladas largas pelas rainhas. Nenhuma das duas estava sequer tonta, então poderiam continuar bebendo veneno como se fosse água por muito tempo.
E então? Está gostando de governar a parte leste Ferália? Desde que a Bunny Woman varreu essa cidade dos habitantes e entregou o controle do local para nós duas que eu não tenho tempo de desafiar você para uma boa e velha competição pelo Fígado de Ouro. — a aranha apenas bebericava delicadamente sua garrafa de veneno, enquanto a cobra apreciava o cheiro e degustava a bebida.
Bem, sabe como é. Tem muitos problemas na parte leste. Você ficou com a parte legal, pois no oeste ainda tem as Quimeras, e você pode caçá-las pra se alimentar. Eu estou quase virando vegetariana de tão pouca carne que sobrou no meu lado da cidade. Meus problemas estão em conter aquela coisa no fundo das cavernas, porque eu nunca imaginei que aquilo pudesse ser tão chato.
Você diz que as Quimeras são legais até conhecer as rebeliões quiméricas. Estou cansada de invadirem meus domínios aos exércitos tentando me matar. Claro, nenhum deles nunca nem encostou em mim, mas isso se deve ao fato de todos serem fracos como moscas perto da minha magnificência.
Ah, querida, claro que sim. Nós duas sabemos que você não é nada sem seu exército. Você não tem o mesmo gingado que eu para essas situações, já que essa sua bunda grande e gorda de aranha só serve para parir e tecer teias.
Olha quem fala, rabo espichado. Você também não é nada sem seu fã-clube de serpentes, minha cara rabuda escamosa. É bom limpar o veneno que tá escorrendo, viu? — Arachne deu uma risada alta, e virou o resto de sua garrafa de veneno em uma única golada.
Ophiuchus botou pressão e virou a garrafa garganta abaixo também, para não ficar por baixo. Ela sabia que Arachne estava certa. Ambas eram inúteis sem seus exércitos, que já passavam dos milhões. Mas ambos os seus inimigos tinham a capacidade de terrível de reduzir esses números ao nada absoluto em questão de dias, no melhor dos casos para elas. A cobra tinha problemas na parte leste da cidade com as rebeliões quiméricas, mas não era nada comparado ao que Arachne estava contendo na parte oeste. Äter Ausgehungert. Uma besta que nem mesmo os deuses confiavam ficar muito perto. Era um fardo e tanto guardar aquela coisa.

As duas conversaram amenidades e besteiras por mais algumas horas, bebendo quantas garrafas de veneno que conseguiam. No fim das contas, ambas estava tão bêbadas que mão conseguiam se levantar e seguir andando em linha reta, mas foi Ophiucus que levou a pior: a rainha das cobras sai carregada por uma onda de cobras por estar praticamente em coma venenoso, enquanto Arachne estava apenas trocando todas as oito pernas de lugar. Mais uma vez, a soberania das aranhas ficava evidente com o Fígado de Ouro. 

Ahtrim Ayon – Ian e Natasha – Dentro de Scary Darkness


O frio sempre fora seu aliado. Desde que fora criado a partir do poder de Fenrir BlankLycan, Ian não conseguia sentir frio, nem se sentia incomodado por ele, então porque dessa vez ele estava sentido como se o próprio gelo fosse lhe matar lentamente? Ele duvidava que fosse sobreviver mais um dia que fosse, mas tudo o que podia fazer era aguentar calado enquanto sua melhor amiga estava ao seu lado sendo queimada viva pelo seu próprio calor. Céus, Tess não disse o quanto seria doloroso manter a porta para Scary Darkness fechada.
Natasha se revirou em seu próprio espaço. Seus músculos protestavam por ficar em sua forma de energia por tanto tempo. Ela sentia o calor lambendo seu corpo como se quisesse consumir tudo o que ela era para nunca mais existir. Ela tinha uma parte do poder da Miku BlackFox e mesmo assim, tudo o que podia fazer, era assistir sua guria sofrer calada enquanto entrava em uma guerra que teria um fim terrível. Ela queria chorar, mas tudo o que sentia não passava de um fóton do que sua querida iria sentir.
Uma presença forte se fez presente no local em que eles estavam. A agonia que sentiam foi momentaneamente aliviada quando o jovem de cabelos castanhos e olhos extremamente negros e amarelos. Sua aura emanava um medo que poucos conseguiriam sentir e enfrentar. A ira daquele rapaz poderia ser mortal aos seus inimigos, mas felizmente, ambos eram amigos do Valete Tenebrae. Carlisle Morgan Blake. Tão parecido com a irmã, e ao mesmo tempo, tão distante e diferente da mesma.
Vocês parecem desconfortáveis dentro desse lock. Sinto muito que vocês tenham que passar por isso. — Carlisle estendeu ambas as mãos e infundiu energia tenebrae dentro dos contingentes de Ian e Natasha. Alimentá-los era a única coisa que podia fazer por eles agora.
Para o lobo e a raposa, era como beber um gole amargo e espesso, mas que alimentava e restaurava suas energias. Como aquele meio-tenebrae conseguia gerar algo tão bom com energia negativa era um mistério, mas como eles mesmo sabiam, nada no mundo existiria se tudo fosse positivo.
Obrigada, Carlisle. Faz muito tempo desde sua última visita, sabia? Uma mulher precisa de uma dieta constante para se manter jovem e saudável. Você bem que poderia vir mais vezes — Natasha resmungou fracamente. Ela ainda estava faminta, mas era tudo o que teria.
Natasha, não peça mais do que pode ganhar. O moleque já faz muito por nós vindo aqui ceder um pouco de sua energia para nós. Ele não tem obrigação nenhuma, então shiu!
Eu não falei com o cachorrinho da Elsa! Quer ficar calado, lobo inútil que Odin não deu a benção? Como eu ia dizendo, Carl, você tem mais ai? Preciso me alimentar!
Ai, essa mulher… Eu juro que um dia eu ainda vou consertar o defeito de dentro da cabeça dessa criatura. Por enquanto, eu vou ficar aqui, trancando a porta da sua zona.
Carlisle apenas sorriu para ambos. Era divertido ter alguém com quem conversar naquela zona. Rosalie pessoalmente o convidara para ser seu Valete no dia que ela despertara. Até então, ele ainda não tinha ideia do que ela estava falando, até que ele finalmente despertou e entendeu a gravidade da situação de sua família. E sua irmã não podia saber nem da missa a metade. Seria doloroso demais saber que o pai dos três tinha morrido para fechar uma porta que novamente tinha sido aberta, sabe-se lá por quem. Agora Ian e Natasha guardavam o posto que Charlie uma vez ocupara.
Vocês dois brigam demais, sabiam? Não se como a Nariki aguenta vocês dois sem enlouquecer. — o jovem se assentou no chão da zona e ficou a encarar os dois com olhos meditativos. Queria ter amigos como aqueles dois. Da mesma forma que tinha amigos legais na Terra, queria ter amigos legais em Ahtrim Ayon, mas tudo o que tivera foi a missão de sequestrar as famílias dos amigos de sua irmã e nem pudera sair depois do baile. — Pessoas, ouvi dizer que está rolando uma guerra em Ahtrim Ayon, nos arredores de Anatoli, como uma das que vocês foram criados.
Oh minha nossa! Isso é Inédito! Finalmente os BlackFox vão provar sua superioridade? Finalmente vamos mostrar aos cachorros burros quem é que manda? — Os olhos de Natasha brilhavam, mesmo dentro do Lock.
Você também é parente dos cachorros, sua raposa velha. E eu duvido que Nariki vai deixar os BlankLycan na mão. Você conhece o Miyazaki, e sabe muito bem que ele é tenso pra caralho.
Ei, não fala assim do meu chefe. Eu sei muito bem que ele é tenso, mas ele é uma pessoa boa.
Ah claro, e manda me prender por toda a eternidade em um caixão com o Aspecto da Insanidade me fazendo reviver os momentos mais tensos das nossas vidas. Cara, teu chefe é um cara sensacional!
O John também não é nada legal. Ele foi totalmente omisso quando poderia ter feito de tudo e mais um pouco para salvar a nós dois, mas não, ele preferiu nos separar da mesma forma como separou nossos feitores.
Não bota a culpa no John, eu tenho certeza que com essa guerra ele vai fazer o que é certo. Até porque, não sei se você lembra, mas a Miku estava bem desequilibrada da última vez que a vimos, e o Fenrir ainda nem tinha saído de onde quer que o Miyazaki tenha colocado ele.
Na verdade, Miku voltou ao normal quando saiu do baile derrotada e Fenrir foi libertado de seu confinamento já faz um tempo, e junto dele, o Aspecto da Insanidade agora vaga entre nós. E a Guerra dos Clãs já terminou, com a Morte de Miyazaki e a Execução do John. — ver os dois discutindo era legal, mas até isso entediava Carlisle se perdurasse.
A decisão de contar o que tinha acontecido se provou muito errada na mesma hora em que o silêncio imperou no local como se alguém tivesse imposto uma runa de silenciar. Era perceptível o pesar e a dor que ambos os espíritos estavam passando, mas, pelo menos, isso era bom, pois mostrava que eles ainda se importavam com aqueles a quem tinha pertencido um dia. Carlisle achou por bem guardar o segredo da responsável pelas mortes de ambos os patriarcas. Ninguém merecia um golpe tão profundo duas vezes no mesmo dia.
Mas… Nariki está bem, não está? A minha garotinha… Ela não está machucada, né? — a voz de Ian estava tremida, cheia de nervosismo e apreensão. Não era o lobo solitário e amigável, e sim o guardião preocupado. Uma parte do pai.
Natasha tremia todo o corpo, chorando baixinho, da forma mais silenciosa e discreta possível. Ela não queria nem pensar na possibilidade de alguma coisa ter feito mal à sua mestra. A menina não merecia isso, e, com certeza, se daria bem na guerra. Pensar positivo e orar por ela era tudo o que poderia fazer agora.
A presença de Carlisle deu espaço a uma condescendência muito pouco vista entre os seus. Ele sabia o quanto era difícil para os que ficaram longe de seus entes queridos vê-los em situações desesperadoras. Ele queria poder ajudar Sophie. Queria poder soltar sua mãe e libertar seu pai, e queria curar Rosalie de sua loucura incansável. Mas tudo o que podia fazer era esperar que Sophie seguisse seu destino e abrisse a porta de Scary Darkness para o mundo mais uma vez.
Está enganado, Carlisle. Sophie não abrirá a porta como a outra fez. Ela vai tentar fechá-la para sempre. — uma voz percorreu o espaço atrás dele. Mesmo sem se virar, ele sabia quem era, pois somente uma pessoa tinha tanta coragem de entrar na Zona Tenebrae sem medo de ser corrompido.
Você sempre aparece pra dizer alguma coisa e sumir, Tess. Mas sinceramente, não acha que ela deveria abrir as portas das trevas e deixar o mundo ser consumido? É mais fácil salvar algo que ainda pode ser salvo.
Scary Darkness não está condenado como você pensar, Carlisle. Ainda existe uma salvação para a Zona Tenebrae, e você sabe disso. Ela só preferiu se ocultar longe de todos vocês.
Carlisle se virou na velocidade do som e segurou a garganta do garoto com força, mas isso não pareceu incomodar Tess. Corrupção tenebrae começava a sair de seus dedos tentando consumir o menino, mas como sempre, ele era imune a esse poder. A raiva de Carlisle passou apenas alguns momentos depois de pressionar o pescoço do mais novo, e por fim, soltou-o e o encarou com algum ressentimento. Como alguém tão jovem pode causar tanta confusão em uma zona?
Nunca mais mencione ela de novo! Ninguém aqui deve saber a existência dela, ou então minha família será morta. Eu não quero morrer, nem quero ver meus familiares morrendo. Isso destruiria minha mãe de uma forma que não é possível descrever.

Eu não permitirei que isso aconteça, até porque eu não acho que ela queira voltar. Mas um dia vai ser necessário. Você sabe tão bem quanto eu. — Tess deu as costas para Carlisle e se dirigiu ao lobo e a raposa. — Nariki está muito bem, e ela carrega a Tantou do Sacrifício. Enquanto ela tiver essa arma em mãos, ela poderá salvar vocês dois. Até lá, mantenham as portas trancadas como eu ordenei.