Ahtrim Ayon - Satsuki versus A Raposa
Aparentemente, Satsuki não era a pessoa mais habilidosa com animais naquela região. Isso ou ela tinha libertado um espírito furioso, antigo e poderoso que seria capaz de matar todos que estivessem por perto. Não, com certeza ela apenas não tinha habilidade com animais. Com um cajado na mão direita e um escudo na direita, a garota tentava domar aquela coisa enorme que vinha em sua direção. Correndo nas quatro patas, com nove caudas balançando ao vento, boca espumando vermelho e olhos brilhando com um azul frio assassino.
O Nogitsune cercou-a, com aquele olhar terrível, parecendo dois globos cheios de fogo-fátuo. Era como se um estudasse ao outro, tentando descobrir as fraquezas e as fortalezas do outro. Tinham certeza que o mínimo movimento errado, e quem quer que estivesse atento, levaria a vantagem que seria fatal. Satsuki parecia ter sido consumida pelo horror. O pelo cinzento da raposa-demônio, aqueles leves rosnados de nojo, tudo aqui contribuía para a menina se sentir como se estivesse próxima do seu ultimo combate.
- Você é forte, sacerdotisa. Eu realmente tenho que admitir, você está me cansando mais do que eu pensei que conseguiria - grunhiu o Nogitsune, com maus modos. Satsuki sentia a instabilidade da situação. Precisava fazer aquele demônio voltar para seu cajado antes que a situação se tornasse irreversível.
A raposa avançou para abocanhá-la, mas a menina era ágil e desviou para o lado com um rolamento. A garota aproveitou o momento de distração e tentou aplicar um golpe com o cajado nas costelas da adversária. Um ganido escapou da boca do demônio e a menina aproveitou esse sinal para investir com mais ataques, girando o cajado em suas mãos, tendo bom aproveitamento do comprimento da arma e do poder espiritual que a mesma possuía contra aquela criatura.
Apesar do monstro ter levado vários golpes, ele não era tão fraco como quisera fazê-la acreditar. Com uma agilidade surpreendente, a criatura se pôs afastada do alcance do cajado e soltou um grunhido que poderia ser reconhecido como um riso de escárnio em outros tempos, entre seus semelhantes. Com os dentes a mostra, a raposa eriçou todas as caudas e soltou um fogo índigo que não parecia ter calor, mas era muito doloroso.
Antes que a menina percebesse, seu escudo e seu cajado estavam longe e agora ela se encontrava paralisada pela agonia e ouvia as passadas silenciosas do Nogitsune na grama seca. De alguma forma, ela sabia que não sairia viva dali. Sua vida tinha sido breve e fugaz, e agora iria morrer de alguma forma brutal para um espírito maligno que ela pensara ter condições de controlar. Quando viu o Nogitsune perto dela, tentou se arrastar para longe, mas não conseguia se mexer de maneira alguma.
- Você não vai a lugar nenhum, querida. Você perdeu contra mim, e sabe meu preço. Você me pagará com sua vida! - Satsuki sentiu a dor dos dentes e das garras percorrendo seu corpo, consumindo sua carne, seu sangue e suas vísceras como se fossem um banquete. A dor era tanta que ela queria desmaiar, mas a misericórdia não existia ali. Quando a criatura se fartou, deixando um restolho como corpo para ela, Satsuki viu seu rosto com olhos de fogo-fátuo.
- Não se preocupe, jovem sacerdotisa. Eu gosto de usar a aparência de minhas vítimas por um tempo, até arrumar uma nova vítima. Mas ainda tem uma coisa que eu quero fazer com você. - A garota viu seu cajado voando até as mãos do monstro, e ele não era afetado pela energia do mesmo. O demônio levantou-se, empunhando o cajado e olhando para ela com um sorriso sádico e desferindo um golpe em sua cabeça, esmagando seu crânio e sua esperança de viver mais um dia.






