quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Ahtrim Ayon - Satsuki versus A Raposa

Aparentemente, Satsuki não era a pessoa mais habilidosa com animais naquela região. Isso ou ela tinha libertado um espírito furioso, antigo e poderoso que seria capaz de matar todos que estivessem por perto. Não, com certeza ela apenas não tinha habilidade com animais. Com um cajado na mão direita e um escudo na direita, a garota tentava domar aquela coisa enorme que vinha em sua direção. Correndo nas quatro patas, com nove caudas balançando ao vento, boca espumando vermelho e olhos brilhando com um azul frio assassino. 

O Nogitsune cercou-a, com aquele olhar terrível, parecendo dois globos cheios de fogo-fátuo. Era como se um estudasse ao outro, tentando descobrir as fraquezas e as fortalezas do outro. Tinham certeza que o mínimo movimento errado, e quem quer que estivesse atento, levaria a vantagem que seria fatal. Satsuki parecia ter sido consumida pelo horror. O pelo cinzento da raposa-demônio, aqueles leves rosnados de nojo, tudo aqui contribuía para a menina se sentir como se estivesse próxima do seu ultimo combate.

- Você é forte, sacerdotisa. Eu realmente tenho que admitir, você está me cansando mais do que eu pensei que conseguiria - grunhiu o Nogitsune, com maus modos. Satsuki sentia a instabilidade da situação. Precisava fazer aquele demônio voltar para seu cajado antes que a situação se tornasse irreversível.

A raposa avançou para abocanhá-la, mas a menina era ágil e desviou para o lado com um rolamento. A garota aproveitou o momento de distração e tentou aplicar um golpe com o cajado nas costelas da adversária. Um ganido escapou da boca do demônio e a menina aproveitou esse sinal para investir com mais ataques, girando o cajado em suas mãos, tendo bom aproveitamento do comprimento da arma e do poder espiritual que a mesma possuía contra aquela criatura.

Apesar do monstro ter levado vários golpes, ele não era tão fraco como quisera fazê-la acreditar. Com uma agilidade surpreendente, a criatura se pôs afastada do alcance do cajado e soltou um grunhido que poderia ser reconhecido como um riso de escárnio em outros tempos, entre seus semelhantes. Com os dentes a mostra, a raposa eriçou todas as caudas e soltou um fogo índigo que não parecia ter calor, mas era muito doloroso. 

Antes que a menina percebesse, seu escudo e seu cajado estavam longe e agora ela se encontrava paralisada pela agonia e ouvia as passadas silenciosas do Nogitsune na grama seca. De alguma forma, ela sabia que não sairia viva dali. Sua vida tinha sido breve e fugaz, e agora iria morrer de alguma forma brutal para um espírito maligno que ela pensara ter condições de controlar. Quando viu o Nogitsune perto dela, tentou se arrastar para longe, mas não conseguia se mexer de maneira alguma.

- Você não vai a lugar nenhum, querida. Você perdeu contra mim, e sabe meu preço. Você me pagará com sua vida! - Satsuki sentiu a dor dos dentes e das garras percorrendo seu corpo, consumindo sua carne, seu sangue e suas vísceras como se fossem um banquete. A dor era tanta que ela queria desmaiar, mas a misericórdia não existia ali. Quando a criatura se fartou, deixando um restolho como corpo para ela, Satsuki viu seu rosto com olhos de fogo-fátuo. 

- Não se preocupe, jovem sacerdotisa. Eu gosto de usar a aparência de minhas vítimas por um tempo, até arrumar uma nova vítima. Mas ainda tem uma coisa que eu quero fazer com você. - A garota viu seu cajado voando até as mãos do monstro, e ele não era afetado pela energia do mesmo. O demônio levantou-se, empunhando o cajado e olhando para ela com um sorriso sádico e desferindo um golpe em sua cabeça, esmagando seu crânio e sua esperança de viver mais um dia.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Ahtrim Ayon - As Lágrimas de Lumiel

Lumiel estava ficando esgotado. Parecia que quanto mais derrotava aqueles capangas, mais eles surgiam, como formigas saindo de um formigueiro para matar o que quer que fosse seu inimigo. No caso, ele não era um inimigo, e eles muito menos eram formigas. Arfando, curvou o corpo para frente, apoiando-se na lança. Sentia um cansaço aterrador, e sua visão começara a embaçar.
Ouviu os passos de novos asseclas de Abaddon correndo em sua direção, provavelmente carregando mais daquelas seringas com líquido preto. Quantas agulhadas com aquele troço ele já levara? Dez? Quinze? Mais de vinte? Quem sabe. Seu corpo registrava apenas um cansaço sem fim, percorrendo suas veias, enquanto os homens envoltos em togas púrpura esfarrapadas. Lumiel sentiu sua lança sendo tirada de suas mãos e arremessada ao longe.
Mãos indelicadas o seguraram grosseiramente e puxaram seus cabelos para que olhasse para o altar. Seus dois irmãos estavam lado a lado com o altar entre eles. Cada qual dentro de sua prisão energética, tentava se libertar desesperadamente, e tudo o que conseguiam, era gastar suas forças sem retorno. Era uma situação desesperadora, onde ele não sabia o que fazer para salvar a todos.
- Finalmente estamos face a face. Esse dia demorou, mas agora você está em minhas mãos. - grasnou uma voz pavorosa, surgindo do altar arrepiando os pelos da nuca de todos os presentes. Abaddon se anunciara.
- Você nunca terá o que procura em mim. Eu jamais servirei ao seu propósito. - respondeu Lumiel, com sua voz meio grogue e cansada. Ele parecia estar lutando contra algo que mais ninguém via.
- Você não terá luta. Você não terá querer. Você só terá a mim, quando acabarmos de nus unir. Nossa união será indestrutível, e tão poderosa que ninguém nesse ou nos outros mundos ousará nos desafiar! Eu finalmente terei o poder infinito! - rugiu o altar. De seu centro, algo começou a vazar. Parecia um tipo de catarro gosmento preto, com um leve reluzir púrpura.
A gosma surgia do altar, como se fosse uma fonte para aquela matéria fétida e nojenta. Em pouco tempo, a gosma estava escorrendo do altar e descendo as escadas como um piche fedorento. Os irmãos de Lumiel gritavam e batiam nas paredes de suas barreiras, tentando quebrá-las e salvar o jovem. Tudo isso parecia cada vez mais inútil diante daquela presença. Abaddon continuou avançando, até estar diante de Lumiel, como uma grande poça de piche rodeando-o.
- Juntos, seremos o ser mais poderoso que o multiverso já viu. Veja, o poder absoluto está diante de você. Pegue-o, e vamos governar o mundo e além! - Abaddon queria fundir-se ao garoto, com tudo o que podia querer.
- Se você deixar os meus irmãos e minha família em paz para sempre, eu me junto a você! - mesmo nessas situações, o menino só pensava no bem estar daqueles que amava.
Se aquela massa disforme tivesse rosto, Lumiel poderia jurar que Abaddon tinha sorrido. O piche criou tentáculos e avançou no jovem, consumindo seu corpo, enquanto se fundia como um simbionte. Lumiel se sentiu consumido pela maldade e corrupção que residia naquela gosma infame, e quando menos esperou, sentiu que estava fora do corpo. Viu que Abaddon tinha expulsado sua alma de seu corpo, e agora encarava-o com olhos vazios e mortos.
- Agora que já tenho seu corpo, sua alma só irá servir para mais uma coisinha: me alimentar! - com um movimento das mãos, Lumiel sentiu sua alma se transformar em pó e ser sugada como alimento por aquele monstro em forma humana. - Obrigado Lumiel. Farei bom uso de seu rosto! - e com uma risada maligna, a consciência do garoto silenciou para sempre.

Ahtrim Ayon - A Ambição de Cecil

Cecil sempre fora conhecido por sua inteligência espantosa e habilidade de estudar as coisas, mas nada na vida tinha sido tão desafiador quanto aquele grimório. Existia algo sobre aquelas páginas que ele não conseguia deixar de temer. As forças escondidas ali eram suficientes para que outras pessoas o desaconselhassem de estudar, mas ele era persistente (ou teimoso, tanto faz).
Faziam meses que ele dedicava sua vida noturna a estudar aquelas páginas e toda noite, acabava por amaldiçoar o avô por não ter deixado instruções claras de como ler aquele maldito livro. Queria ele que pelo menos uma vez, seus olhos lessem perfeitamente as palavras e seu cérebro decodificasse a escrita, traduzindo perfeitamente o que estava ali. Soltou um longo bocejo antes de virar a página, esgotado pela leitura de três parágrafos.
- É inútil. Mesmo depois de vários meses, eu não consigo descobrir nada de você. Parece até que você não quer que eu te desvende. Você deve estar me enlouquecendo, porque eu estou falando com um grimório de mais cem anos. - Cecil pensava alto, tentando entender o que significava as palavras na oitava página. Parecia loucura, mas essas oito páginas eram os rendimentos de vários meses consecutivos de sono perdido.
Porém, dessa vez, algo diferente ocorreu com o grimório. As páginas voltaram até o início, até a página onde estava escrita em tinta negra, as palavras "Este diário pertence à Calisto Corleone". Um arquejo escapa dos lábios de Cecil, pois ele conseguira ler sem nenhum problema uma das frases do livro. Mesmo sendo uma das que ele nunca tenha dado atenção, ele conseguira ler sem nenhum problema e isso era o que contava.
A página virou e ele continuou conseguindo ler o que estava escrito nas páginas, com a mesma facilidade de antes. Era como se todo o trabalho duro e esforço estivesse sendo recompensado com a revelação de um segredo incrível. O menino estava maravilhado com o que estava lendo, finalmente descobrindo alguns segredos, que se decodificavam diante dele. Parecia a visão do paraíso, que se abria para ele majestosamente.
- Você não deveria estar lendo esse livro especificamente. Ainda é muito novo para isso, Cecil - sussurrou uma voz, vinda de dentro do livro. Apesar de ser um sussurro, era audível, forte, intenso e austero. O menino, porém, estava tão vidrado nos segredos que lhe eram revelados, que ele não se deu conta ou não ligou para o que a voz falou. Não se ocupou nem em dar uma resposta decente.
- Cecil! Preste atenção quando seu avô falar com você! - repreendeu-lhe a voz, enquanto as páginas viravam, revelando novos segredos. O garoto nem piscou, mas respondeu com um grunhido qualquer. Estava absorto naquelas revelações, de tudo o que pensava que sabia ou que achava que conhecia.
Uma luz dourada começou a emanar das letras do grimório e inundou o cômodo mal-iluminado e simplesmente decorado. Cecil estava tão vidrado no que o livro lhe contava, que não percebeu que começara a flutuar com o livro a sua frente, virando a página lentamente para lhe revelar mais segredos ainda. O garoto sentiu uma mão tocando em seu ombro esquerdo e apertando, mas não tirou os olhos do livro. Aquele toque gélido parecia aterrador, mas Cecil sabia que não seria machucado.
- Está na hora de parar com isso, garoto. Conhecimento é uma arma poderosa, e nem todos os mortais como você, estão capacitados a obtê-la. - disse a voz do homem, tentando despertar o menino de seu transe. Nada se provava efetivo.
- Eu quero conhecer mais. Eu quero saber tudo. Eu quero saber ainda mais sobre tudo mesmo depois de saber o máximo! - disse o menino, com os olhos brilhando de tanta felicidade. Mal sabia ele do perigo. Sua cabeça absorvia cada vez mais conhecimento, tornando-o cada vez mais sábio e consciente do mundo à sua volta. Mas tudo tem um preço.
A cabeça de Cecil começava a latejar com uma dor chata, que se fazia presente na testa, como se sua visão estivesse reclamando da luminosidade. Mas ele não ligou para a dor. Ele queria apenas mais conhecimento, mais sabedoria e inteligência para viver. Sua busca não o levaria para a glória eterna, como ele descobriria em pouco tempo. Sua cabeça começara a doer para realmente incomodar. O menino tentou relevar, mas a dor não permitiu.
- Eu lhe avisei, Cecil. Conhecimento é a arma mais perigosa de todas, e você não estava pronto para ela. Sua mãe nunca esteve e agora, você também nunca estará - falou a voz, com desgosto e amargura.
- Faça parar! Eu lhe imploro, faça parar! - gritava Cecil, tentando desviar o rosto, fechar os olhos, qualquer coisa. Seus olhos estavam tão grudados na direção do livro que nada disso era efetivo.
- Sinto muito, meu neto. Você está sozinho. - e com isso, o velho se foi, deixando o garoto sozinho no quarto.
A dor dentro de seu crânio era insuportável. Parecia que seu cérebro estava sendo esmagado como massa de modelar. O garoto se recusava a emitir um único som que fosse, mas chorava pela dor abusiva que sentia. E não conseguia fechar os olhos, nem parar o fluxo constante de informações que chegava na sua cabeça. A tortura se prolongou até o momento que o menino soltou um grito de agonia horripilante, e caiu no chão, com os olhos abertos e vidrados, com um líquido cinzento escorrendo pelo nariz, boca e ouvidos. O excesso de informação tinha derretido o cérebro do menino. O grimório se fechou e flutuou de volta à mesa, como se nada tivesse a ver com aquilo.

Ahtrim Ayon - Sophie e o Rosto do Abismo

Sophie estava confusa. Tinha acordado extremamente cedo aquela noite para nada? Os Mazashi eram uma família séria, e não se dispunham a brincadeiras. Se a tinham chamada àquela hora imprópria no comando, a garota estava certa de que boa coisa não seria. Ainda sonolenta, a ela caminhava pelo ambiente marmorizado e ricamente decorado do Comando, tentando colocar na mente que tudo estava bem e que não seria nada grave.
Ao chegar na sólida porta de carvalho escuro, a jovem deu um três leves batidas com a aldrava de ouro branco polido. Aquele lugar fora assustador quando mais nova, mas agora eram apenas belos, frios, distantes e familiares. A porta se abriu rangendo e a arrancou de sua nostalgia. Recompôs o rosto concentrado e espantou o que restava do sono, e entrou na sala, saudando educadamente seus superiores.
Permitiu-se um segundo de surpresa. Os Mazashi tinham reunido toda a cúpula dos grandes ali, e a tensão era tão poderosa que a Sophie sentiu encurvar-se alguns centímetros. Ela detectou os guardiões mais proeminentes de cada família vassala: Johnny Raven, guarda costas pessoal de Chiru Mazashi; Jack Reghier, comandante da inteligência dos Mazashi; Sparrow Frey, o guardião de Aylan Mazashi; e mais alguns dos poderosos que ela não conhecia. Sophie sentia-se minuscula por ser inferior a todos em poder, mas ser a familiar da matriarca da família, Lilian Mazashi.
A mesma se encontrava ali, e sorriu ao ver que a jovem garota estava um pouco desconfortável com a presente situação. O marido dela, Hellser Mazashi estava concentrado, fazendo um símbolo na mesa de reunião, que a ela reconheceu como sendo um feitiço de observação. Até mesmo o herdeiro estava ali, Harum Mazashi. Eles eram muito amigos, mas nesse momento, ele parecia sério e concentrado, então não quis falar com ele. O que quer que fosse, era muito mais importante que a amizade.
- Finalmente - clamou Hellser, quebrando a tensão e assustando alguns dos presentes - Senhores, creio que já nos demoramos demais. Vou explicar a situação a vocês sem mais delongas. Um antigo inimigo, que nossa família selou a muito tempo está voltando para esse mundo.
"Não falamos seu nome, mas todos aqui sabem a quem estou me referindo. Ele foi o responsável pela nossa quase extinção. Duvido que algum dos presentes queira passar com isso, então eu estou reunindo apenas os meus servos de maior confiança para interceptarmos a ameaça e selarmo-as de novo bem longe de nós. Esse feitiço irá nos mostrar a localização exata dele, para que possamos ir contra-atacar. Estejam preparados, pois assim que soubermos, deveremos partir"
Sophie estava completamente abismada. Ele estava voltando? Tudo o que ela ouvira foram histórias, e em todas elas, nunca terminara bem quando Ele encontrava outro que estava ligado aos Mazashi. Seu padrinho contara para ela tudo o que sabia, e sua mãe a mantivera a salvo dos pesadelos quando seu pai morreu. Mas agora era real. Tão real, que ela estava se tremendo. Forçou o auto-controle em si mesma. Não podia perder a cabeça nesse momento crítico. Hellser já começara a entoar os cânticos de ativação do feitiço, e ela precisava se preparar para reconhecer o local e partir.
Porém, alguma coisa começou a dar terrivelmente errado. Hellser já não conseguia controlar o feitiço com seus cânticos, e raios negros começaram a sair do símbolo desenhado na mesa, atingindo as paredes e deixando marcas pretas de fuligem. Um cheiro forte de ozônio começou a tomar conta do ar, e outra fragrância, ainda mais inebriante, porém mais fétida. Ela sabia o que estava por vir, e seu primeiro instinto foi se interpor entre o que quer que estivesse saindo do símbolo e sua protegida para a vida toda, Lilian.
Uma risada de congelar o sangue varreu o aposento e uma forma feita de pó negro e uma espécie de gosma começou a se formar, criando um perfeito manequim de corpo humano. Sophie sabia o que era aquilo, e seu coração parou por alguns momentos. Estava diante do maior horror que um Mazashi já tinha enfrentado. Quase sentia seu peito sendo oprimido pela pressão mágica. Os raios negros ainda iam soltos, acertando tudo o que podiam, deixando marcas pretas de fuligem nas paredes alvas.
- Você! Como? Quando foi que você chegou aqui? Isso não é possível! - gritava Hellser, com seu poderoso fogo em prontidão, disparando jatos poderosos contra o inimigo. Inútil. Nada funcionava. Aquela coisa estava ali e não estava ao mesmo tempo. Nada acertava, nem mesmo o fogo infernal de seu senhor.
- Eu nunca cheguei aqui. Você que queria me ver, e agora está me vendo. - retrucou a forma, com uma voz que pareciam unhas num quadro negro. Os ouvidos de Sophie estavam próximos do sangramento, e todos na sala congelaram quando ouviram aquilo. Eles o tinham trazido por meio de um simples feitiço de observação? Isso era impossível. Mas Ele estava ali, vivo e "sólido".
Os raios negros começaram a acertar algumas pessoas. Sortudos como Jack, Johnny e Frey se salvaram, mas quem era atingido por aquele poder absurdo, começava imediatamente a derreter como se tivesse sido exposto ao calor de milhares de sóis. Zoe viu várias pessoas que conhecia e respeitava derreter como um sorvete num dia quente. O cheiro de corpos queimados estava começando a queimar seu nariz e fazer seus olhos lacrimejarem. Hellser estava lutando com todas as forças, e Lilian parecia ter entrado em transe.
A garota ainda viu Harum ser retirado aos gritos de protestos pelos poucos sobreviventes da sala, enquanto o pai lutava pela vida e a mãe continuava em estado vegetativo. Até a hora que a "Sombra" virou-se para ela e sorriu. No minuto seguinte, Sophie viu estacas negras indo em direção dela. A única coisa que ela ainda tinha a fazer, era se proteger. Com seu poder, invocou uma barreira contra as estacas, mas o poder daquele monstro era abissal.
Só ouviu o som de vidro se rachando e percebeu a dor excruciante percorrendo seu corpo, enquanto Hellser gritava seu nome. As estacas tinham quebrado sua barreira como se fosse feita de papel-seda. Ela não conseguia se mover, mas seus olhos voltaram-se diretamente para o rosto sem face e viu o reflexo de um rosto. Ela arregalou os olhos por ver aquele rosto, sentindo o choque e a traição mais forte do que a dor. O rosto dele ficou gravado em sua mente quando a ultima estaca perfurou sua testa e obscureceu sua visão para sempre.

Contos de Ahtrim Ayon

Ahtrim Ayon - Sinopse

Já imaginou que louco seria se você tivesse a habilidade secreta de viajar entre os planos do multiverso? Pois é, creio que não. Poucas pessoas passam seu tempo imaginando como seria a própria vida caso pudesse apenas estalar os dedos e estar em um lugar diferente a cada dia, independente e livre. Espera ai, agora você se interessou? Quer entrar nesse mundo? Bem, eu também quero entrar. Acontece que somente algumas pessoas tem isso, como você vai acompanhar na história. Se está lendo isto, já deve ter lido sobre "A Morte de Sygin", e se não leu, clique aqui.

Sim, em outros mundos, você pode encontrar criaturas como aquelas. Então é preciso ser corajoso para dominar esse poder, aprender as artes místicas e entrar em combate. Se você está certo de que tem essa capacidade, então venha. Eu lhe conduzirei por esse novo mundo, te mostrando tudo o que você precisa saber, e também te contando a história de importantes planinautas que marcaram esse e outros mundos. Você está pronto? Quer embarcar nessa viagem? Então venha comigo, e não se preocupe. Não vai doer... Muito.

Ahtrim Ayon - A Morte de Sygin

Sygin corria que nem uma louca, apavorada do que quer que estivesse perseguindo-a. Aquele monstro tinha matado toda a equipe da elfa com uma facilidade tão assustadora, que ela própria estava considerando que o destino mais fácil era se entregar para a morte. E como se não tivesse amanhã, ela corria, cada vez mais rápido, querendo se distanciar o mais rápido possível do louco sanguinário.

O som da floresta estava ressonando em seus ouvidos, num silêncio tão profundo que pareciam notas musicais. A garota estava esbaforida e ofegante, mas estava aliviada por ter certeza de que estava longe daquele massacre. As cenas ainda estavam frescas em sua memória, como o sangue estava em suas roupas, ensopando seu corpo. O cheiro de morte tinha grudado fundo em sua pele, em seu cabelo. Sygin sentia seu interior se estilhaçando com a potência assassina daquele monstro. Desesperada, a menina sentou no chão e começou a chorar compulsivamente, soluçando de desespero.

O escuro ajudava a encobrir as lágrimas brilhantes, que escorriam pelo seu rosto, se misturando ao pó, o sangue e sujeira de guerra. A elfa sabia que continuar ali era um pedido explícito para a morte, mas ela estava tão cansada. E tinha colocado uma distância enorme de onde estava até o campo de batalha. Não queria pensar naquilo, mas os gritos ainda ecoavam em sua mente, assim como o rasgar de carne, e o som do sangue espirrando. O cheiro podre de morte, e o "rosto" dele. Se é que se pode chamar aquilo de rosto.

Tentando retomar o equilíbrio e a força de vontade, Sygin se levantou e enxugou as lágrimas que teimosamente ainda tentavam escapar da contenção de seus olhos. Com o auto-controle reforçado, a garota tentou prosseguir com sua viagem, mas algo chamou a sua atenção. Não era bem um som, mas sim a falta dele. Até a floresta silenciosa, que antes tinha um que de acolhimento, agora estava com uma clara intenção assassina e ameaçadora. Assim como ele.

Com toda a sua força de vontade, Sygin se preparou para a ultima batalha. Sabia que não tinha força para mais nada. Se sentia esgotada, tanto física quando mentalmente. Não conseguia lançar mais magias, e seu arco tinha ficado longe, assim como as flechas. Ela encararia seu destino na unha. Respirando fundo, ouviu atentamente, para ver onde vinha aquela ameaça e encontrou um leve ruído. Virou-se com toda a coragem para encarar um esquilo. Momentaneamente confusa, permitiu-se aliviar-se do medo que estava sentindo, e decidiu que estava ficando paranoica.

Porém, quando se virou para encarar o caminho de partida, seu coração quase parou. Arregalou os olhos para o sorriso psicótico que se encontrava à sua frente, envolto por uma armadura de metal pesada, e um manto vermelho em farrapos, fedendo a cadáveres, e o capacete ocultando a face do demônio. Com um passo assustado para trás, ela tropeçou e viu que o mesmo flutuava alguns centímetros do chão.

Com o coração aos saltos, ela viu o horror ensanguentado estender a mão em direção a ela, até que ele segurou o rosto da elfa com sua mão direita e aproximou a boca do ouvido da mesma. Sygin estava gelada como um ice berg e tremia mais do que se é possível pensar. Quando o mesmo estava tão próximo para que o fedor de sangue fizesse os olhos da garota arderem e lacrimejarem, ela ouviu apenas um único som.

- Kushi!



O grito de Sygin varreu a floresta, como se a mesma estivesse recebendo as dores do inferno no próprio corpo. Ninguém jamais soube exatamente o que aconteceu com ela, mas no nascer do sol, alguns viajantes estavam passando pela estrada e encontraram as poucas partes reconhecíveis da garota. Os boatos do Horror Ensanguentado percorreram inúmeras cidades, contando como ele matara Sygin Collaerium, a última descendente da mais nobre linhagem de elfos.



segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Magick Gates Capítulos

Magick Gates - Histórias 

Saga - Pureza

Nesse cenário observamos diversos alunos enquanto tentam se adaptar a realidade de Arcada. Com foco em três alunos, a narrativa busca explorar o máximo desse universo fantástico. O primeiro é Cecil, um aluno extrovertido e com uma criatividade anormal e que recebeu um essência incomum. O segundo é Raul, um viciado em filmes de terror , paranoico até os ossos e detentor de um humor sádico e divertido. Por últimos temos a Claire, uma aluna dedicada e detentora de uma inteligência magnífica, porém que usa para ganhos pessoais dos mais variáveis. 


Capitulo 1 - Tolos e a Sua Beleza
Capitulo 2 - A Dama D'Água

Magick Gates - Tolos e a sua Beleza

A Academia estava em um momento sublime, com todos os professores orgulhosos encarando os futuros alunos, enquanto eles iam por um corredor a sala final do exame. Cada um com suas peculiaridades fazia suas apostas e escolhia seus favoritos, aqueles que julgavam ter o melhor futuro ali dentro.
O primeiro comentário partiu do professor de Magias envolvendo o ar, Guilherme, que encarava os alunos com sua típica avidez e curiosidade.
– Cavalheiros, é de minha ousadia inferir que o estudante que está passando em frente a décima primeira coluna parece um tanto promissor – Observava atentamente o estudante que havia completado as provas de abstração criativa com as melhores notas, ele tinha feições sérias, que se encaixavam ao ser cabelo perfeitamente colocado para trás e um olhar sagaz e curioso.
– Eu continuo a apostar no grandão logo ali, ele mostrou uma ousadia e tem porte de quem irá se tornar forte – Falava em seguida Rusknov , um dos professores de combate. Ele apontava para um aluno de aparência forte, postura impecável e feições fortes, realçadas pela ausência de cabelo, era a definição de força e se destacava entre todos por sua altura.
– A sutiliza do mago é vista em seu ser holisticamente, a aluna do Japão possuí todas essas características de uma verdadeira Yamato Nadeshiko, deverá executar magias fenomenais no futuro – Dizia Imandir, a responsável por ensinar técnicas de meta-magia e ser uma das responsáveis pelo centro de informações da Academia. Como todos os outros apresentava aparência espetacular, com feições finas e cabelo loiro penteado em coque, que destacava belos olhos azuis.
Enquanto os alunos passavam, uns com medo e outros já empolgados, pois estavam participando de um sonho humano, pois todos naquela fila decidiram ficar na academia ao assistir à apresentação do que era a real magia e estavam prestes a passar por um procedimento que os habilitaria a usa-la.
Olhando para um lado e para o outro estava Raul, que não se parava de pensar o que fazia ali e porque aceitou abandonar sua família por mais de quatro anos, não tinha certeza sobre aquela oportunidade, se realmente compensava ou era segura, dentro daquele lugar eles podiam ser vendidos como cobaias para alguma organização ou torturados, tudo isso passava pela cabeça de Raul, o atormentando. Depois de tantos filmes de terror ele havia perdido seu otimismo para situações inusitadas como aquela.
Inquieto, Raul sentiu alguém pisando na parte de trás do seu tênis, tentou olhar disfarçadamente para trás enquanto andava e observou o rosto do seu novo amigo, ele estava tão entretido em suas fantasias que esquecia do mundo real, Cecil, fora um dos melhores na prova criativa, porém era o tipo que vivia em outro mundo, ele em qualquer outro lugar do mundo seria o típico louco, mas lá demonstrara ser um gênio inovador, onde aplicava sua lógica a padrões totalmente atípicos.
Chegando em frente as portas os 100 estudantes eram divididos entre 5 portas, lá encontravam um laboratório espaçoso, que refletia uma luz branca. Lá dentro o brilho da sala dava contraste aos diversos materiais da mais vasta gama, desde objetos flutuando a formas de computadores holográficos. Em meio aquele cenário Cecil logo se interessava pelos cristais nas prateleiras e passava a observa-los, alheio a explicação que era dada pelo guia.
Segundo aquilo que era revelado aos futuros estudantes, o corpo humano não consegue comandar e nem gerar as partículas e ondas responsáveis pelo fenômeno conhecido como magia. Esse fator obrigava que os estudantes humanos passassem por um processo chamado Vril, onde era infundido neles uma espécie de essência, que sincronizado em totalidade com eles, os permitia utilizar habilidade mágicas,
Para Raul algo ali não parecia certo, fosse nas explicações ou cenário épico que passava, como se a sua realidade não fosse a verdadeira, mas sim aquela que agora estava imerso. Esse pensamento o afrontou com força, o fazendo se beliscar e diferente do esperado, sentiu a dor, nada mudou. “Não é um sonho” pensou.
Conforme iam passando os alunos desenvolviam diferentes reações ao soro, sendo receptivos ou não, segundo os aplicadores o processo era alheio a falhas, porém os alunos que desmaiavam durante o processo, levavam um certo medo a aqueles que estavam duvidosos com aquilo. Ao longo houveram alunos que recuaram com medo, esses eram levados para fora do local onde ia ser feito um aconselhamento e segundo o guia, caso não aceitassem o processo voltariam ao mundo normal, perdendo a chance de adentrar na academia.
Ao chamarem o nome de Raul a dúvida dentro dele se inflamou, mas seja o seu desespero ou somente desapreço a vida, algo dentro dele gritou mais forte. Ele pensou que quem desiste em filmes de terror morrem da mesma forma, o roteiro já estava ali, bastava ele seguir, sentindo a impossibilidade da fuga, ele se direcionou para a câmara e preparou-se para o pior. Para o exame ele ingeriu dois comprimidos, assim como injetaram um líquido brilhante em sua veia, ainda surpreso pela velocidade do processo ele entrou na câmara.
Dentro dela ele só contemplava a beleza dos cristais que o rodeava, era como se desde o chão a parede fosse feito de cristais translúcidos brilhante, como se diversas pirâmides e prismas ao comando dos computadores reproduzissem diversos sinais, mudando a cor em diversos tons magníficos, para Raul era como se a aurora boreal se formasse ali.
Foi contemplando tal que ele foi abraçado pela luz, milhões de linhas de luz eram formadas através e dele e em todas as direções do lugar e ele as aproveitava como um show de luzes sorridente, o medo havia desaparecido. Enquanto Raul estava na câmara os pesquisadores estavam impressionados com que essência o garoto havia sido compatível. Somente poucas palavras escaparam dos lábios do mais inquieto...
– Ele é um herdeiro dourado – falava impressionado e deixava um sorriso transparecer
Ao se dar conta estava acordando em uma cama de dormitório, seu corpo parecia perfeitamente bem, isso o surpreender, sem dor no ombro ou joelho, curioso passava a mão por ele todo e sentindo as mudanças, assustado levantou rapidamente da cama, indo em direção do espelho mais próximo, que estava logo a frente, em um banheiro no quarto. Ao se olhar notou que...

Magick Gates - Sinopse

Sinopse do RPG

Somos a elite entre os humanos, a razão da evolução das raças, utilizamos a ciência magna e dominamos as artes ocultas. Entre os Umbrais, Paraísos e todos os mundos dentro da árvore da vida , somos os desbravadores de uma nova realidade, Magos por essência. 

Na academia de Arcádia, vocês passam de reles humanos a portadores preciosos de genes de diversos planos, podendo assim desenvolver toda uma gama de conteúdos , onde o foco é tornas-los os melhores magos em suas classes e aptidões. 

Informações da Mesa 




Sessões 



Jogadores