As florestas de Ferália são um
local perigoso para aqueles que não sabem como se guiar la dentro.
Mesmo que você tenha nascido naquele meio, ainda assim será um
local perigoso por sua exuberante fauna e flora, tão belas quanto
mortais. Desde que Ariana Flemence tinha passado o rolo compressor
sobre os habitantes daquele local, ninguém se atrevia a passar tanto
tempo dentro de suas florestas, com medo das almas penadas que ainda
assombravam aquele local como espíritos de vingança.
Arachne não tinha medo desses
espíritos vingativos. Já tinha enfrentado problemas bem maiores
para se tornar a Rainha das Aranhas, e não seria um monte de almas
penadas que iriam lhe trazer esse desconforto no dia que encontraria
ela. Foi uma luta para ambas se encontrarem, mesmo porque
compartilhavam um interesse em comum: a dominação de Ferália, a
cidade das feras e da selvageria. Quem diria que teriam de se
encontrar quando estavam as portas de conseguirem seus objetivos?
As aranhas ao seu redor estavam
eriçadas e agitadas. Elas sentiam a aura de poder que se colocava ao
encontro delas a medida que sua velha conhecida chegava cada vez mais
próxima. Arachne sabia e sentia o poder da outra. Ophiuchus. A
senhora de todas as cobrar, Rainha das Serpentes, estava chegando
para uma social com a mesma. Sentia saudades daquela maldita, por
mais que não admitisse. Ela estava mais perto agora, podia ouvir o
coleado de seu corpo reptiliano, se aproximando do ponto de encontro.
Ophiuchus poderia ter escolhido
qualquer dia para encontrar com sua amiga, mas escolhera justamente o
que poderia significar uma derrota desastrosa. Não se permitiria
perder novamente para Arachne, não se permitiria ser humilhada
novamente. Coleou mais um pouco com seu séquito de cobras atrás de
si, sempre indo em direção ao poder da Rainha das Aranhas.
Finalmente, depois de desbravar um pouco do contingente de árvores e
mata fechada, encontrou a rainha esperando pacientemente por sua
chegada.
— Então, nos encontramos
novamente. Está preparada, vadia?
׆††×
E as duas viraram as garrafas de
veneno ao mesmo, bebendo tudo num só fôlego. Qualquer pessoa que
bebesse aquela quantidade de toxina teria como sequela mínima, a
morte instantânea, mas para aquelas duas, era apenas uma competição
para ver quem ficava bêbada primeira. Não que fosse algo muito fora
do comum, afinal aquelas duas eram bebedoras experientes e
resistentes. Com um barulho de respiração, as duas pousaram as
garrafas, se encarando e se medindo.
— Então, vadia da bunda
gorda, como andam suas aranhas? Alguma novidade do filho de Joseph
Saouron? Ouvi dizer que o potencial destrutivo dele é gigantesco,
suficiente para limpar qualquer cidade somente com a presença.
— Normal, minha querida
minhoca superdesenvolvida. Pelo que eu soube, o futuro Cobreiro
estará pronto para vir lhe caçar assim que a Lua Verde se
posicionar sobre ele. Ele vai poder arrancar seu couro pelo cu e você
não vai conseguir vencê-lo.
Mais uma garrafa de veneno era
ingerida a goladas largas pelas rainhas. Nenhuma das duas estava
sequer tonta, então poderiam continuar bebendo veneno como se fosse
água por muito tempo.
— E então? Está gostando de
governar a parte leste Ferália? Desde que a Bunny Woman varreu essa
cidade dos habitantes e entregou o controle do local para nós duas
que eu não tenho tempo de desafiar você para uma boa e velha
competição pelo Fígado de Ouro. — a aranha apenas bebericava
delicadamente sua garrafa de veneno, enquanto a cobra apreciava o
cheiro e degustava a bebida.
— Bem, sabe como é. Tem
muitos problemas na parte leste. Você ficou com a parte legal, pois
no oeste ainda tem as Quimeras, e você pode caçá-las pra se
alimentar. Eu estou quase virando vegetariana de tão pouca carne que
sobrou no meu lado da cidade. Meus problemas estão em conter aquela
coisa no fundo das cavernas, porque eu nunca imaginei que aquilo
pudesse ser tão chato.
— Você diz que as Quimeras
são legais até conhecer as rebeliões quiméricas. Estou cansada de
invadirem meus domínios aos exércitos tentando me matar. Claro,
nenhum deles nunca nem encostou em mim, mas isso se deve ao fato de
todos serem fracos como moscas perto da minha magnificência.
— Ah, querida, claro que sim.
Nós duas sabemos que você não é nada sem seu exército. Você não
tem o mesmo gingado que eu para essas situações, já que essa sua
bunda grande e gorda de aranha só serve para parir e tecer teias.
— Olha quem fala, rabo
espichado. Você também não é nada sem seu fã-clube de serpentes,
minha cara rabuda escamosa. É bom limpar o veneno que tá
escorrendo, viu? — Arachne deu uma risada alta, e virou o resto de
sua garrafa de veneno em uma única golada.
Ophiuchus botou pressão e virou
a garrafa garganta abaixo também, para não ficar por baixo. Ela
sabia que Arachne estava certa. Ambas eram inúteis sem seus
exércitos, que já passavam dos milhões. Mas ambos os seus inimigos
tinham a capacidade de terrível de reduzir esses números ao nada
absoluto em questão de dias, no melhor dos casos para elas. A cobra
tinha problemas na parte leste da cidade com as rebeliões
quiméricas, mas não era nada comparado ao que Arachne estava
contendo na parte oeste. Äter Ausgehungert. Uma besta que nem mesmo
os deuses confiavam ficar muito perto. Era um fardo e tanto guardar
aquela coisa.
As duas conversaram amenidades e
besteiras por mais algumas horas, bebendo quantas garrafas de veneno
que conseguiam. No fim das contas, ambas estava tão bêbadas que mão
conseguiam se levantar e seguir andando em linha reta, mas foi
Ophiucus que levou a pior: a rainha das cobras sai carregada por uma
onda de cobras por estar praticamente em coma venenoso, enquanto
Arachne estava apenas trocando todas as oito pernas de lugar. Mais
uma vez, a soberania das aranhas ficava evidente com o Fígado de
Ouro.
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