sexta-feira, 8 de maio de 2015

Ahtrim Ayon – Arachne e Ophiuchus – Uma Conversa de Bar

As florestas de Ferália são um local perigoso para aqueles que não sabem como se guiar la dentro. Mesmo que você tenha nascido naquele meio, ainda assim será um local perigoso por sua exuberante fauna e flora, tão belas quanto mortais. Desde que Ariana Flemence tinha passado o rolo compressor sobre os habitantes daquele local, ninguém se atrevia a passar tanto tempo dentro de suas florestas, com medo das almas penadas que ainda assombravam aquele local como espíritos de vingança.
Arachne não tinha medo desses espíritos vingativos. Já tinha enfrentado problemas bem maiores para se tornar a Rainha das Aranhas, e não seria um monte de almas penadas que iriam lhe trazer esse desconforto no dia que encontraria ela. Foi uma luta para ambas se encontrarem, mesmo porque compartilhavam um interesse em comum: a dominação de Ferália, a cidade das feras e da selvageria. Quem diria que teriam de se encontrar quando estavam as portas de conseguirem seus objetivos?
As aranhas ao seu redor estavam eriçadas e agitadas. Elas sentiam a aura de poder que se colocava ao encontro delas a medida que sua velha conhecida chegava cada vez mais próxima. Arachne sabia e sentia o poder da outra. Ophiuchus. A senhora de todas as cobrar, Rainha das Serpentes, estava chegando para uma social com a mesma. Sentia saudades daquela maldita, por mais que não admitisse. Ela estava mais perto agora, podia ouvir o coleado de seu corpo reptiliano, se aproximando do ponto de encontro.
Ophiuchus poderia ter escolhido qualquer dia para encontrar com sua amiga, mas escolhera justamente o que poderia significar uma derrota desastrosa. Não se permitiria perder novamente para Arachne, não se permitiria ser humilhada novamente. Coleou mais um pouco com seu séquito de cobras atrás de si, sempre indo em direção ao poder da Rainha das Aranhas. Finalmente, depois de desbravar um pouco do contingente de árvores e mata fechada, encontrou a rainha esperando pacientemente por sua chegada.
Então, nos encontramos novamente. Está preparada, vadia?

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E as duas viraram as garrafas de veneno ao mesmo, bebendo tudo num só fôlego. Qualquer pessoa que bebesse aquela quantidade de toxina teria como sequela mínima, a morte instantânea, mas para aquelas duas, era apenas uma competição para ver quem ficava bêbada primeira. Não que fosse algo muito fora do comum, afinal aquelas duas eram bebedoras experientes e resistentes. Com um barulho de respiração, as duas pousaram as garrafas, se encarando e se medindo.
Então, vadia da bunda gorda, como andam suas aranhas? Alguma novidade do filho de Joseph Saouron? Ouvi dizer que o potencial destrutivo dele é gigantesco, suficiente para limpar qualquer cidade somente com a presença.
Normal, minha querida minhoca superdesenvolvida. Pelo que eu soube, o futuro Cobreiro estará pronto para vir lhe caçar assim que a Lua Verde se posicionar sobre ele. Ele vai poder arrancar seu couro pelo cu e você não vai conseguir vencê-lo.
Mais uma garrafa de veneno era ingerida a goladas largas pelas rainhas. Nenhuma das duas estava sequer tonta, então poderiam continuar bebendo veneno como se fosse água por muito tempo.
E então? Está gostando de governar a parte leste Ferália? Desde que a Bunny Woman varreu essa cidade dos habitantes e entregou o controle do local para nós duas que eu não tenho tempo de desafiar você para uma boa e velha competição pelo Fígado de Ouro. — a aranha apenas bebericava delicadamente sua garrafa de veneno, enquanto a cobra apreciava o cheiro e degustava a bebida.
Bem, sabe como é. Tem muitos problemas na parte leste. Você ficou com a parte legal, pois no oeste ainda tem as Quimeras, e você pode caçá-las pra se alimentar. Eu estou quase virando vegetariana de tão pouca carne que sobrou no meu lado da cidade. Meus problemas estão em conter aquela coisa no fundo das cavernas, porque eu nunca imaginei que aquilo pudesse ser tão chato.
Você diz que as Quimeras são legais até conhecer as rebeliões quiméricas. Estou cansada de invadirem meus domínios aos exércitos tentando me matar. Claro, nenhum deles nunca nem encostou em mim, mas isso se deve ao fato de todos serem fracos como moscas perto da minha magnificência.
Ah, querida, claro que sim. Nós duas sabemos que você não é nada sem seu exército. Você não tem o mesmo gingado que eu para essas situações, já que essa sua bunda grande e gorda de aranha só serve para parir e tecer teias.
Olha quem fala, rabo espichado. Você também não é nada sem seu fã-clube de serpentes, minha cara rabuda escamosa. É bom limpar o veneno que tá escorrendo, viu? — Arachne deu uma risada alta, e virou o resto de sua garrafa de veneno em uma única golada.
Ophiuchus botou pressão e virou a garrafa garganta abaixo também, para não ficar por baixo. Ela sabia que Arachne estava certa. Ambas eram inúteis sem seus exércitos, que já passavam dos milhões. Mas ambos os seus inimigos tinham a capacidade de terrível de reduzir esses números ao nada absoluto em questão de dias, no melhor dos casos para elas. A cobra tinha problemas na parte leste da cidade com as rebeliões quiméricas, mas não era nada comparado ao que Arachne estava contendo na parte oeste. Äter Ausgehungert. Uma besta que nem mesmo os deuses confiavam ficar muito perto. Era um fardo e tanto guardar aquela coisa.

As duas conversaram amenidades e besteiras por mais algumas horas, bebendo quantas garrafas de veneno que conseguiam. No fim das contas, ambas estava tão bêbadas que mão conseguiam se levantar e seguir andando em linha reta, mas foi Ophiucus que levou a pior: a rainha das cobras sai carregada por uma onda de cobras por estar praticamente em coma venenoso, enquanto Arachne estava apenas trocando todas as oito pernas de lugar. Mais uma vez, a soberania das aranhas ficava evidente com o Fígado de Ouro. 

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