Carlisle andava
pelos corredores daquele complexo enorme, pensando consigo mesmo em
como as pessoas eram fúteis e fáceis de enganar. Nariki estava cada
vez mais tola e manipulável. Daquele jeito, ela seria considerada
uma ameaça, junto com Sophie e seus amigos. Ainda estava
impressionado que sua irmã não tivesse dado um choque de realidade
na amiga quando estavam naquela entre-zona procurando a bolsa do
poder dos deuses. Talvez agora Lawliet pudesse ascender oficialmente
e sua irmã poderia finalmente perceber que ela era uma sumo
sacerdotisa.
O tridente que
recentemente tinha capturado naquela entre-zona ainda pesava em suas
costas, assumindo uma responsabilidade temerosa. Ele agora era o dono
da Pantera. Assim como Sayter tinha a Águia a seu lado, agora ele
também tinha uma arma que podia destruir um pilar. Ele só esperava
que não precisasse chegar a tanto. Continuou avançando pelo
corredor vazio e sombrio que a Ordem do Manto Negro tinha
normalmente, atento ao menor dos movimentos. Ele se dirigia ao salão
principal, onde o líder dos assassinos provavelmente estava
entediado deitado em seu trono, esperando uma forma de diversão.
— Carlisle
Morgan Blake! Que surpresa agradável encontrar você aqui no
complexo dos assassinos. Você deve ter uma missão muito especial
para ir de encontro ao nosso líder carregando uma arma com esse
calibre. — um homem com capuz negro e cicatriz no canto da boca
surgiu atrás de Carlisle falando isso. Os instintos do garoto
falaram que qualquer que fosse seu desejo, enfiar o tridente na
garganta do assassino era mais seguro do que conversar com o mesmo.
— Izaya —
Carlisle virou e encarou o homem. Seus olhos negros e dourados já
estavam prontos para fuzilar o mesmo com impaciência. — Não tenho
tempo para suas tolices, então seja rápido em despejar seu veneno.
— Sayter é
uma criança impaciente. Ele não vai gostar do que você tem a
falar. Ainda mais agora que você foi elevado a Ômega. Como se sente
sendo tão importante para tanta gente? O Valete dos Tenebrae e um
Planinauta Ômega ao mesmo tempo. Decidiu virar um dos lacaios do
Tess? — Izaya tinha um sorriso sinistro em seu rosto. Como aquele
assassino conseguia tanta informação assim ainda era um dos
mistérios da vida. Era capaz de ele saber exatamente os planos da
Insanidade e se manter calado sobre.
— O que eu
faço ou deixo de fazer com minha vida, não é de seu interesse de
forma alguma, Izaya. Eu não respondo a você, nunca respondi e
jamais responderei. Mesmo tendo treinado com você por um tempo,
somos completamente diferentes do que eramos naquela época. Hoje não
somos mais amigos nem rivais. Você só não significa mais nada pra
mim! — claro que Carlisle estava com raiva daquele cara. Quando ele
tinha fugido pela primeira vez da Zona Tenebrae, ainda uma criança,
logo após cumprir a ordem de Rosalie de resgatar o corpo de sua
irmã… Izaya tinha sido a pessoa que estendera a mão para ele. Ele
tinha ensinado o menino como lutar, como ser um assassino e como
pegar a moeda mais valiosa do mundo: informações.
O assassino
pensou por alguns momentos se não estava errado. Izaya teve tanto
tempo sozinho naquele fim de mundo, escondendo quem realmente era e
porque… Seu sorriso vacilou e
desapareceu lentamente. Carlisle tinha sido seu melhor amigo, e no
momento que o traíra, perdera-o para sempre. Mesmo juntando todo o
seu tempo livre e dedicando para achar informações úteis ao
Valete, Izaya sabia que o perdão não viria com facilidade.
Os
olhos do assassino preencheram-se com memórias de um tempo
longínquo, onde ele ainda era feliz apenas eliminando alvos pré
estabelecidos e sendo pago
para isso. Tanto tempo antes do antigo líder morrer passar o trono
para Sayter. Naquele tempo, seu melhor amigo era o Valete, e eles
eram uma dupla formidável. Missão dada era missão cumprida, e eles
sempre faziam isso em tempo recorde. Foi
assim que ele ficou sabendo do Silas, de sua conexão com o Silêncio
e tudo mais que envolvia a Bainha do Ostracismo.
— Não
vou te impedir de entrar no salão do Sayter. Apenas tenha em mente
que ele nunca matou ninguém, oficialmente. Então uma vez que entre
lá, esteja preparado para não sair. — a seriedade estava
estampada no rosto de Izaya, marcada profundamente pelas rugas de
preocupação que se formaram em sua testa. — Lembre-se, não é
vergonha fugir de uma batalha. É sábio sobreviver pra lutar outro
dia.
׆††×
Sayter
já sabia de tudo o que estava acontecendo antes mesmo de Carlisle
entrar na sala. Seus espiões pelo mundo inteiro já tinham deixado o
menino a par dos últimos acontecimentos. A Bruxa Milenar tinha sido
fatalmente derrotada através
do esforço em conjunto de Sophie, Nariki e Lumiel. Alguns dos
novatos tinha se prontificado a ajudar como Leroy e Lola, mas ainda
tinha sido uma batalha bem complicada
e estressante. Ninguém até hoje tinha conseguido vencer a Bruxa
Milenar pelo seu poder de invencibilidade, com uma capacidade tão
ampla que era realmente incrível alguém sair vivo de uma batalha
contra a mesma.
Deitado
em seu trono de madeira negra dura como aço e pesada como chumbo,
Sayter esperava que o intruso viesse ao seu encontro e despejasse
tudo o que sabia sobre ele de forma clara e concisa. Não tinha
paciência para joguinhos de qualquer forma, e mesmo aqueles em que
era o protagonista, se cansava de fingir e de usar máscaras, e
rapidamente se armava e dava o bote certeiro, silencioso e mortal.
Suas costas reclamaram e todas as juntas do seu corpo protestaram
quando ele mudou de posição naquele trono duro e imaleável,
fazendo alguns estalos percorrerem sua coluna desde a cervical até o
sacro.
As
imensas portas de ferro negro trabalhado e esculpido naquele salão
foram escancaradas enquanto uma névoa negra e tóxica entrava no
ambiente e se avolumava a sua frente, inundando o salão iluminado
fracamente pelo fogo azulado que ficava no alto das colunas de
sustentação de granito negro. A névoa preencheu o em poucos
momentos, deixando a atmosfera mais perigosa e pesada, como o
encontro de uma massa de ar quente contra uma de ar fria, causando
uma terrível tempestade com raios, relâmpagos e trovões. Sayter
podia sentir que o ódio gotejando de sua pele, tal qual suor, quando
o rosto do Valete tenebrae se solidificou com uma expressão
impenetrável de frieza e amargura.
— Bem-vindo
de volta, Carlisle Morgan Blake. A que devo a honra de sua visita,
meu jovem aprendiz? — Sayter tinha posto sua melhor máscara de
paciência e tranquilidade. Não queria sangue desnecessário
derramado sobre seu chão. Se tinha aprendido alguma coisa com Shiroi
Kira, era que mortes desnecessárias eram a pior coisa do mundo.
— Bem,
Sayter, já que perguntou…
Eu estou aqui pelo mesmo
motivo que eu estive antes: a Águia! Você não tem permissão de
ficar com uma arma que pertence a família de Haffketran, e mesmo que
tivesse permissão direta de Damon, não tem permissão da Távola.
Agora seja um bom garoto e entregue essa adaga para mim agora! — as
palavras saíra a contragosto da boca do Valete, sendo recebidas por
um sorriso de escárnio da boca do menino. Ele realmente tinha vindo
até a sua casa, dar-lhe ordens sobre as armas que ele tinha roubado
honestamente.
— Quanta
petulância da sua parte, Valete. Acha mesmo que eu devo obedecer
você, pela sua posição no mundo? Você é só mais um ferrado
qualquer que vem até meu aposento procurando o fim do mundo. Você
quer a Águia? Pois bem, aí ela está!
Um
brilho dourado zuniu pelo ambiente, cortando até mesmo o ar que
estava em seu caminho, uma lâmina de ouro vermelho, afiada
a ponto de cortar moléculas e com uma guarda trabalhada em arabescos
simétricos, e o cabo do mesmo material de ouro vermelho e couro
negro, com a cabeça de uma águia de enfeite como finalização do
cabo. O borrão dourado avançava em velocidade delirante,
ricocheteando pelo ambiente e acelerando ainda mais, dando tempo
apenas de Carlisle se colocar em forma de névoa e ver aquela coisa
cravando em sua jugular, e mesmo estando intangível,
aquilo doeu como nunca doera antes na vida. Não era a toa que a
Águia podia destruir os pilares.
— Você
não faz ideia do que arrumou pra si, jovem! Eu sou Sayter Revenanth,
o maior Manto Negro que já existiu na história da Ordem e você
achou que poderia me desafiar? Eu realmente acho que nunca ninguém
foi tão burro quanto você foi, mas eu não estou aqui para julgar,
apenas para punir. Agora dance, rato das trevas, dance! — Sayter
tinha um sorriso homicida no rosto, que deixava claro a intenção de
fatiar o corpo de Carlisle em pedaços.
O
Valete, por sua vez, não estava com tempo de olhar para o rosto da
criança, pois estava muito ocupado executando uma série de
acrobacias evasivas que fariam os ossos de pessoas normais quebrarem
pelo esforço visual para acompanhar. Aquela luta estava praticamente
ganha. Carlisle não tinha como vencer aquele monstro que sorria e
observava tudo, cada movimento errado e cada golpe recebido. Carlisle
sabia muito bem que era seu fim, a não ser que lutasse de igual pra
igual. Com essa decisão em mente, ele puxou a Pantera e interceptou
um ataque da Águia com uma das pontas do tridente.
A
expressão de Sayter murchou, transpondo um abismo entre a alegria
sádica e bestial até a raiva infantil por ter sido interrompido no
meio de uma brincadeira muito divertida. Mesmo com aquela cara de
criança, a expressão sombria de irritação era claramente
ameaçadora e capaz de fazer um adulto se molhar de medo. A criança
se levantou do trono e começou a descer do alto de seu trono, com a
expressão congelada em seu rosto, olhando fixamente para aquele
tridente, enquanto a adaga fazia força contra a arma de Carlisle.
Ela já não precisava sentir a energia que emanava daquela peça
para saber que era uma das armas que rivalizavam com sua adaga. Ele
tinha a Pantera.
— Ora
ora, quem diria. Você tem a Pantera! Se você é o novo guerreiro
capaz de empunhar esse tridente, então quem sou eu para matar você?
Eu não vou te devolver a Águia, porque eu posso empunhá-la tão
bem ou melhor até mesmo que os da sua raça, então saia daqui
rastejando, na certeza que esse tridente poupou sua vida, e não eu!

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