quinta-feira, 17 de março de 2016

Ahtrim Ayon — Carlisle Morgan Blake — A Águia e a Pantera

Carlisle andava pelos corredores daquele complexo enorme, pensando consigo mesmo em como as pessoas eram fúteis e fáceis de enganar. Nariki estava cada vez mais tola e manipulável. Daquele jeito, ela seria considerada uma ameaça, junto com Sophie e seus amigos. Ainda estava impressionado que sua irmã não tivesse dado um choque de realidade na amiga quando estavam naquela entre-zona procurando a bolsa do poder dos deuses. Talvez agora Lawliet pudesse ascender oficialmente e sua irmã poderia finalmente perceber que ela era uma sumo sacerdotisa.
O tridente que recentemente tinha capturado naquela entre-zona ainda pesava em suas costas, assumindo uma responsabilidade temerosa. Ele agora era o dono da Pantera. Assim como Sayter tinha a Águia a seu lado, agora ele também tinha uma arma que podia destruir um pilar. Ele só esperava que não precisasse chegar a tanto. Continuou avançando pelo corredor vazio e sombrio que a Ordem do Manto Negro tinha normalmente, atento ao menor dos movimentos. Ele se dirigia ao salão principal, onde o líder dos assassinos provavelmente estava entediado deitado em seu trono, esperando uma forma de diversão.
Carlisle Morgan Blake! Que surpresa agradável encontrar você aqui no complexo dos assassinos. Você deve ter uma missão muito especial para ir de encontro ao nosso líder carregando uma arma com esse calibre. — um homem com capuz negro e cicatriz no canto da boca surgiu atrás de Carlisle falando isso. Os instintos do garoto falaram que qualquer que fosse seu desejo, enfiar o tridente na garganta do assassino era mais seguro do que conversar com o mesmo.
Izaya — Carlisle virou e encarou o homem. Seus olhos negros e dourados já estavam prontos para fuzilar o mesmo com impaciência. — Não tenho tempo para suas tolices, então seja rápido em despejar seu veneno.
Sayter é uma criança impaciente. Ele não vai gostar do que você tem a falar. Ainda mais agora que você foi elevado a Ômega. Como se sente sendo tão importante para tanta gente? O Valete dos Tenebrae e um Planinauta Ômega ao mesmo tempo. Decidiu virar um dos lacaios do Tess? — Izaya tinha um sorriso sinistro em seu rosto. Como aquele assassino conseguia tanta informação assim ainda era um dos mistérios da vida. Era capaz de ele saber exatamente os planos da Insanidade e se manter calado sobre.
O que eu faço ou deixo de fazer com minha vida, não é de seu interesse de forma alguma, Izaya. Eu não respondo a você, nunca respondi e jamais responderei. Mesmo tendo treinado com você por um tempo, somos completamente diferentes do que eramos naquela época. Hoje não somos mais amigos nem rivais. Você só não significa mais nada pra mim! — claro que Carlisle estava com raiva daquele cara. Quando ele tinha fugido pela primeira vez da Zona Tenebrae, ainda uma criança, logo após cumprir a ordem de Rosalie de resgatar o corpo de sua irmã… Izaya tinha sido a pessoa que estendera a mão para ele. Ele tinha ensinado o menino como lutar, como ser um assassino e como pegar a moeda mais valiosa do mundo: informações.
O assassino pensou por alguns momentos se não estava errado. Izaya teve tanto tempo sozinho naquele fim de mundo, escondendo quem realmente era e porque… Seu sorriso vacilou e desapareceu lentamente. Carlisle tinha sido seu melhor amigo, e no momento que o traíra, perdera-o para sempre. Mesmo juntando todo o seu tempo livre e dedicando para achar informações úteis ao Valete, Izaya sabia que o perdão não viria com facilidade.
Os olhos do assassino preencheram-se com memórias de um tempo longínquo, onde ele ainda era feliz apenas eliminando alvos pré estabelecidos e sendo pago para isso. Tanto tempo antes do antigo líder morrer passar o trono para Sayter. Naquele tempo, seu melhor amigo era o Valete, e eles eram uma dupla formidável. Missão dada era missão cumprida, e eles sempre faziam isso em tempo recorde. Foi assim que ele ficou sabendo do Silas, de sua conexão com o Silêncio e tudo mais que envolvia a Bainha do Ostracismo.
Não vou te impedir de entrar no salão do Sayter. Apenas tenha em mente que ele nunca matou ninguém, oficialmente. Então uma vez que entre lá, esteja preparado para não sair. — a seriedade estava estampada no rosto de Izaya, marcada profundamente pelas rugas de preocupação que se formaram em sua testa. — Lembre-se, não é vergonha fugir de uma batalha. É sábio sobreviver pra lutar outro dia.

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Sayter já sabia de tudo o que estava acontecendo antes mesmo de Carlisle entrar na sala. Seus espiões pelo mundo inteiro já tinham deixado o menino a par dos últimos acontecimentos. A Bruxa Milenar tinha sido fatalmente derrotada através do esforço em conjunto de Sophie, Nariki e Lumiel. Alguns dos novatos tinha se prontificado a ajudar como Leroy e Lola, mas ainda tinha sido uma batalha bem complicada e estressante. Ninguém até hoje tinha conseguido vencer a Bruxa Milenar pelo seu poder de invencibilidade, com uma capacidade tão ampla que era realmente incrível alguém sair vivo de uma batalha contra a mesma.
Deitado em seu trono de madeira negra dura como aço e pesada como chumbo, Sayter esperava que o intruso viesse ao seu encontro e despejasse tudo o que sabia sobre ele de forma clara e concisa. Não tinha paciência para joguinhos de qualquer forma, e mesmo aqueles em que era o protagonista, se cansava de fingir e de usar máscaras, e rapidamente se armava e dava o bote certeiro, silencioso e mortal. Suas costas reclamaram e todas as juntas do seu corpo protestaram quando ele mudou de posição naquele trono duro e imaleável, fazendo alguns estalos percorrerem sua coluna desde a cervical até o sacro.
As imensas portas de ferro negro trabalhado e esculpido naquele salão foram escancaradas enquanto uma névoa negra e tóxica entrava no ambiente e se avolumava a sua frente, inundando o salão iluminado fracamente pelo fogo azulado que ficava no alto das colunas de sustentação de granito negro. A névoa preencheu o em poucos momentos, deixando a atmosfera mais perigosa e pesada, como o encontro de uma massa de ar quente contra uma de ar fria, causando uma terrível tempestade com raios, relâmpagos e trovões. Sayter podia sentir que o ódio gotejando de sua pele, tal qual suor, quando o rosto do Valete tenebrae se solidificou com uma expressão impenetrável de frieza e amargura.
Bem-vindo de volta, Carlisle Morgan Blake. A que devo a honra de sua visita, meu jovem aprendiz? — Sayter tinha posto sua melhor máscara de paciência e tranquilidade. Não queria sangue desnecessário derramado sobre seu chão. Se tinha aprendido alguma coisa com Shiroi Kira, era que mortes desnecessárias eram a pior coisa do mundo.
Bem, Sayter, já que perguntou… Eu estou aqui pelo mesmo motivo que eu estive antes: a Águia! Você não tem permissão de ficar com uma arma que pertence a família de Haffketran, e mesmo que tivesse permissão direta de Damon, não tem permissão da Távola. Agora seja um bom garoto e entregue essa adaga para mim agora! — as palavras saíra a contragosto da boca do Valete, sendo recebidas por um sorriso de escárnio da boca do menino. Ele realmente tinha vindo até a sua casa, dar-lhe ordens sobre as armas que ele tinha roubado honestamente.
Quanta petulância da sua parte, Valete. Acha mesmo que eu devo obedecer você, pela sua posição no mundo? Você é só mais um ferrado qualquer que vem até meu aposento procurando o fim do mundo. Você quer a Águia? Pois bem, aí ela está!
Um brilho dourado zuniu pelo ambiente, cortando até mesmo o ar que estava em seu caminho, uma lâmina de ouro vermelho, afiada a ponto de cortar moléculas e com uma guarda trabalhada em arabescos simétricos, e o cabo do mesmo material de ouro vermelho e couro negro, com a cabeça de uma águia de enfeite como finalização do cabo. O borrão dourado avançava em velocidade delirante, ricocheteando pelo ambiente e acelerando ainda mais, dando tempo apenas de Carlisle se colocar em forma de névoa e ver aquela coisa cravando em sua jugular, e mesmo estando intangível, aquilo doeu como nunca doera antes na vida. Não era a toa que a Águia podia destruir os pilares.
Você não faz ideia do que arrumou pra si, jovem! Eu sou Sayter Revenanth, o maior Manto Negro que já existiu na história da Ordem e você achou que poderia me desafiar? Eu realmente acho que nunca ninguém foi tão burro quanto você foi, mas eu não estou aqui para julgar, apenas para punir. Agora dance, rato das trevas, dance! — Sayter tinha um sorriso homicida no rosto, que deixava claro a intenção de fatiar o corpo de Carlisle em pedaços.
O Valete, por sua vez, não estava com tempo de olhar para o rosto da criança, pois estava muito ocupado executando uma série de acrobacias evasivas que fariam os ossos de pessoas normais quebrarem pelo esforço visual para acompanhar. Aquela luta estava praticamente ganha. Carlisle não tinha como vencer aquele monstro que sorria e observava tudo, cada movimento errado e cada golpe recebido. Carlisle sabia muito bem que era seu fim, a não ser que lutasse de igual pra igual. Com essa decisão em mente, ele puxou a Pantera e interceptou um ataque da Águia com uma das pontas do tridente.
A expressão de Sayter murchou, transpondo um abismo entre a alegria sádica e bestial até a raiva infantil por ter sido interrompido no meio de uma brincadeira muito divertida. Mesmo com aquela cara de criança, a expressão sombria de irritação era claramente ameaçadora e capaz de fazer um adulto se molhar de medo. A criança se levantou do trono e começou a descer do alto de seu trono, com a expressão congelada em seu rosto, olhando fixamente para aquele tridente, enquanto a adaga fazia força contra a arma de Carlisle. Ela já não precisava sentir a energia que emanava daquela peça para saber que era uma das armas que rivalizavam com sua adaga. Ele tinha a Pantera.

Ora ora, quem diria. Você tem a Pantera! Se você é o novo guerreiro capaz de empunhar esse tridente, então quem sou eu para matar você? Eu não vou te devolver a Águia, porque eu posso empunhá-la tão bem ou melhor até mesmo que os da sua raça, então saia daqui rastejando, na certeza que esse tridente poupou sua vida, e não eu!

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