domingo, 19 de abril de 2015

Ahtrim Ayon - A Destruição de Ferália

 Loktar se sentia exultante. Depois de finalmente meditar por longos dias de forma quase incessante em sua cidade natal, ele finalmente descobrira uma maneira de derrotar a Bunny Woman. Seu contentamento era evidente. Desde quando o mundo era mundo, sua mestra Bo tentava derrotar a Bunny Woman e a Bruxa Milenar, mas ela nunca conseguira descobrir uma forma. Loktar não se preocupava com a Bruxa Milenar, já que ela tinha sumido fazia séculos, mas a Bunny Woman era um perigo constante. Ariana Flemence tinha se provado uma mulher perigosa e temperamental, difícil de ser contida ou até mesmo de conversar.
Nas vilas de Ferália, cheia de Kemonos e Feralianos, ou você era a presa ou era o predador. Loktar era com certeza um predador, e agora ele conhecia a fraqueza da inimiga de sua mestra. De sua inimiga. Ele já estava se preparando para voltar à sua cidade de treino, dono de um segredo poderoso, que seria compartilhado com sua mestra quando se deu conta do que estava acontecendo ali. Afiando seus sentidos, ele escutou ao longe, o som de pulos. Pulos estes que pertencia a coisas grandes e pesadas, mas que se moviam a uma velocidade impressionante.
Ferália era um local modesto. Apenas algumas vilas aqui e ali, habitadas por seres animalescos, que eram donos da selvageria e detentores das graças da natureza, mas nenhum ser em Ferália chegava a ser tão grande e pesado, mas, ao mesmo tempo, ágil e veloz como o que ele estava escutando. Seu coração deu um salto quando viu a silhueta de um coelho gigante com marcas vermelhas no corpo, grandes olhos amarelos e uma boca cheia de dentes afiados. E eles corriam em direção ao seu vilarejo.
Sua audição já estava sensível, e ele pode ouvir sons que feriram profundamente seu interior, como o som de gritos de dor dos aldeões, o choro de crianças, o rasgar de carne e a horrível mastigação dos coelhos. A Bunny Woman tinha descoberto sobre ele, e agora ela não seria piedosa. Loktar encerrou sua audição aguçada e passou a correr em direção ao seu vilarejo. Existiam pessoas ali que ele queria salvar, que ele precisava salvar. E ele correu de volta ao seu lar, com o intuito de lutar até a morte pelo seu lar.
Loktar chegou a tempo de ver as pessoas correndo dos coelhos, e isso não fazia sentido. Os habitantes de Ferália tinham sido considerados por muitos anos os mais bravios e destemidos de todo o continente, e agora eles corriam de coelhos gigantes pavorosos como se os mesmos fossem invencíveis. Simplesmente não fazia sentido que isso estivesse realmente acontecendo. Acumulando energia em seu corpo, Loktar começou a desferir tantos golpes quanto pode nas criaturas, mas era a mesma coisa que bater em argila molhada.
A textura dura e mole do corpo dos coelhos demoníacos fazia com que todos os golpes fossem doloridos na carne do meio-urso, mas mesmo abrindo buracos nos corpos dos coelhos, eles se reconstituíam e se fechavam. Da mesma forma que Ariana. Amaldiçoando a demonia com todas as suas forças, Loktar deu por si esfarelando os coelhos com todo o seu ódio sendo liberto. Não era possível que ele fosse chegar tão perto de matar a Bunny Woman e fosse falhar. Ele simplesmente precisava sair vivo dali de alguma forma, mas jamais abandonaria seus compatriotas.
Loktar continuou quebrando, socando chutando e matando quantos coelhos pode, mesmo que eles se reconstituíssem, ele morreria lutando, como o exército de um homem só. Ninguém mais se machucaria em sua vila. Todos os seus amigos, todos os seus conhecidos, de quem ele gostava, ele seria o escudo entre eles e os demônios, a qualquer custo. Mesmo quando o primeiro dedo-agulha dos coelhos o acertou, ele continuou lutando, até que lhe acertaram mais outro e o suspenderam, para arrancar sua cabeça, beber seu sangue e comer seu corpo.
Na mesma medida que Loktar morria, longe dali, uma mulher toda vestida de preto se felicitava e se congratulava pela sua brilhante ideia de dizimar todos os habitantes de Ferália, em busca do bestial prometido. Baphomet tinha alertado-a sobre um monge meio-urso que descobriria a fraqueza de seu corpo de argila um dia, e iria derrotá-la, mas mesmo ela foi em frente com o plano de realizar seu desejo pelos poderes da consciência sem corpo. Não importava quantas vezes ele renascesse, ela sempre o mataria, até não sobrar nenhum bestial vivo.
Ela ainda se lembrava de quando era uma menina pequena e indefesa, que habitava Nyxsage com Beatriz e Bo. Ainda achava muito bizarro o fato de Bo ser uma das raras humanas de Nyxsage, e de hoje em dia ela se dedicar a essa filosofia de monge. Ela poderia ter tido tanto poder quanto ela ou Bia, mas ela não quis se arriscar a pedir ajuda ao poderoso ser dos desejos, como ela pedira. Chegava a ser engraçado como acontecera tudo.
Um dia, ha muito tempo, Bia e Ariana estava conversando sobre a possibilidade de serem as rainhas do mundo, e de quem conquistasse primeiro, aceitar a outra como ministra de sua vontade e portadora de seus desejos. Uma para reinar, e outra para governar. Bo, era a única que achava a ideia ridícula, e que disse que faria de tudo para que nenhuma das duas fosse capaz de alcançar seus objetivos. Quem poderia imaginar que o desejo de monja seria tão forte a ponto de parar o envelhecimento de seu corpo mortal?
Ariana ainda lembrava como ela e Bia se tacaram para o fundo da cidade para encontrar a caverna que Baphomet descansava, para que cada uma tivesse um desejo concedido. Ah, tinha sido um dia tão divertido. Ela tinha saltado riachos, se pendurado em pontes e se forçado mais do que qualquer pessoa viva da cidade. Bem, talvez um pouco menos do que Beatriz. Nunca vira a amiga desejar algo com tanta força quanto naquele dia. Era quase divertido ver o desespero no rosto da bruxa quando ela se afastava do alvo dos desejos.
— Foi realmente divertido esse dia, Ari. A gente poderia ter repetido mais vezes se eu não tivesse ficado tão ocupada tentando conquistar o mundo, e você mais ocupada ainda em fazer isso antes de mim. — uma voz melodiosa surgiu através do aposento da dama de preto, fazendo com que os pelos da nuca da mesma se eriçassem.
— Bia, minha querida. Eu vou conquistar o mundo antes de você, e serei sua Rainha e Soberana. Você sabe que eu estou certa, e que você está apenas adiando o inevitável.
— Você também está adiando o inevitável, minha amiga. Você é invulnerável, não invencível. Eu que desejei a invencibilidade, enquanto você quis ser indestrutível. Mas sabemos que Bo também desejou alguma coisa. Mesmo que não tenha desejado diretamente à Baphomet, ela desejou com força o suficiente para se realizar. Você só adiou o inevitável.
— Eu sei disso. O protegido de Bo vai me matar algum dia, mas eu serei a Rainha do Mundo antes disso. Bem antes disso. Eu superarei os deuses, e juntas vamos ser as mais fortes de todo este plano. E você também tem suas fraquezas. As gêmeas já nasceram, sabia? Você não fez nada porque?

— Enquanto as gêmeas não encontrarem Nariki e Raven, não existirá motivos para que eu tema minha destruição. Eu ainda tenho o Horror Ensanguentado e o Coração Negativo para lutar ao meu lado. Eu ainda sou a Bruxa Milenar. E você, Bunny Woman, o que você tem ao seu favor?

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