Paradoxo I
O encapuzado* andava lentamente por entre as masmorras de
Kronos Academy. Sua capa feita da mais pura energia de paradoxos ondulava mesmo
na ausência de vento ou movimento. Parou em frente à cela, cercada pela energia
amarela e vermelha daquilo que as Moiras não compreendiam. Sorriu para si mesmo
apenas admirando o local, as vezes gostava disso, gostava de apenas observar a
energia dourada se movendo ondulante, semelhante ao fogo... Era tão belo.
Mas as Moiras não compreendiam tal beleza. Elas não
compreendiam quase nada em sua arrogância... Como as odiava. O sistema delas
estava ultrapassado, já não eram mais capazes de reger o mundo, uma nova era se
aproximava, uma nova ordem. E para gerar uma nova ordem primeiro precisava vir
o caos.
O glorioso caos.
Deu as costas à cela encaminhando-se para as áreas externas.
Se tudo desse certo em breve um novo paradoxo se iniciaria, então seu plano
podia começar. As demonias sequer notavam qual era seu real objetivo, não viam
as pequenas mudanças que ocorriam nas Linhas do Tempo mesmo agora. O mundo
estava mudando. E quando mudasse seria a sua ordem que o regeria.
Seus pensamentos mais uma vez se voltara para a razão de
tudo isso. Segurou entre suas mãos o pingente de foice, o ultimo resquício do
amor de sua vida. Passara muitas encarnações sofrendo, vendo vida após vida sua
cara metade morrendo em seus braços, vez após vez lhe dizendo que tudo ia ficar
bem, para que a ultima coisa que ouvisse antes de morrer fosse uma mentira.
Caminhou pelos jardins dirigindo-se ao templo de Nemesis,
para o local que matara Elizabeth. Não queria ter feito isso, a rainha fora sua
amiga por muito tempo. Mas fora necessário. Ela descobrira tudo e lhe
confrontara. Ameaçara dizer às Moiras... Não lhe dera outra escolha.
Embora talvez, em sua nova ordem, ele pudesse recompensa-la.
Admirou a imagem da deusa, as asas de ônix reluzindo contra o mármore, a espada
nas mãos, em riste, prestes a enfrentar um inimigo. E o rosto, o rosto severo e
imperdoável, o rosto da justiça, o rosto da vingança, o rosto que se
assemelhava ao de sua alma gêmea, em todas suas encarnações.
A saudade doía em seu peito, tão misturada ao desejo de
vingança que sequer podia distingui-los. Ajoelhou-se perante a deusa. Se as
Moiras existiam talvez ela também, talvez estivesse em algum lugar daquela
dimensão ouvindo suas preces.
- Nemesis, poderosa vingadora, senhora da justiça, ouça minha prece! – ouviu sua voz ecoando em suplica – As Moiras são culpadas e merecem senti tua
pesada mão sobre elas. Oh senhora, ajuda-me em meus propósitos.
Um vento frio atravessou o templo, fazendo com que sua capa
tremulasse de forma ainda mais incongruente. E por algum motivo sentiu que a
deusa o ouvira, e mais do que isso o atenderia. Sorriu em deleite. Era apenas
uma prova que seu caminho estava certo.
Em breve teria sua vingança. Elas haviam lhe tirado tudo o
que tinha de mais precioso. Faria o mesmo. Lhe tiraria sua preciosa ordem. Sua
tapeçaria. Seu poder. E ao fim.... Elas iriam implorar para que lhes tirasse a
vida.
*Usei o masculino por
questões praticas, não concluam à partir disso o sexo do vilão.

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